Os EUA aceleram a corrida ao dotar suas cidades com capacidade para monitorar, interpretar e responder ao funcionamento urbano quase em tempo real. Plataformas de inteligência artificial (IA) usam sensores, semáforos, redes elétricas e sistemas de água para antecipar falhas, automatizar operações e coordenar trânsito, energia, segurança e mobilidade. A Fortune Business Insights estima que sistemas inteligentes de gestão urbana possam reduzir em até 30% custos operacionais em áreas como iluminação pública e infraestrutura. A IDC avalia que a América do Norte concentre mais de 32% do mercado global de cidades inteligentes em 2026, puxada principalmente por segurança pública, resiliência climática, automação e infraestrutura conectada. “A ponte deixa de ser um objeto mudo esperando por uma inspeção. Passa a fazer parte de uma troca contínua com a cidade”, diz Carlo Ratti, diretor do Senseable City Lab, no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ele coordena o projeto “Good Vibrations”, que usa dados de celulares para captar vibrações em pontes e detectar sinais de desgaste. “O futuro talvez dependa menos de inventar novas infraestruturas e mais de ‘sentir’ aquelas que já existem”, diz. Agora, a IA empurra cidades americanas para o conceito de “cidade cognitiva”. “Acho que o termo ‘smart city’ morreu, mas não necessariamente o fenômeno de inovar e levar tecnologia às comunidades”, diz Jonathan Reichental, ex-diretor de tecnologia de Palo Alto, na Califórnia. “A IA será muito mais antecipatória, irá raciocinar sobre o ambiente e tomar decisões de forma independente”. A diferença, segundo ele, é que, enquanto a cidade conectada coleta dados, a cidade cognitiva passa a interpretá-los e agir sobre eles. Como a iluminação pública que reage à circulação, semáforos adaptados ao fluxo do trânsito e sistemas capazes de prever enchentes. “Não deveríamos reagir quando um canal inunda. Deveríamos entender se ele vai inundar e quando”, diz. Phoenix, no Arizona, usa câmeras, sensores e integração de dados para monitorar trânsito e segurança pública. A cidade também é um dos exemplos do avanço das smart grids, redes inteligentes de energia que reduzem a demanda elétrica durante ondas extremas de calor - sensores e algoritmos redistribuem a carga e aliviam picos de consumo. Parte dessa transformação depende da expansão do 5G, que oferece maior estabilidade para operações críticas. Uma das apostas mais visíveis dessa nova etapa é o uso de “gêmeos digitais”, modelos virtuais capazes de simular trânsito, energia e ocupação. Coral Gables um dos laboratórios urbanos mais avançados, opera gêmeo digital, sensores urbanos e drones conectados à segurança pública. Segundo Reichental, a cidade usa tecnologia “em praticamente todos os aspectos” da administração. Mas Ratti relativiza o conceito. “Uma cidade não possui um gêmeo. Ela possui aproximações, modelos parciais”, diz. Para ele, o valor dessas plataformas está em permitir que governos testem decisões antes que elas se transformem em “meio-fios, contratos e concreto”. A iniciativa privada também está presente. A Waymo opera robotáxis em Phoenix, San Francisco e Los Angeles. Em Columbus, projetos testam veículos autônomos integrados ao sistema urbano. Porém, especialistas alertam para o possível deslocamento de problemas - frotas autônomas mal administradas podem reduzir estacionamentos e aumentar congestionamentos - e riscos de cibersegurança. À medida que carros autônomos, redes elétricas, sistemas de água e semáforos passam a operar conectados, ataques digitais podem atingir diretamente a infraestrutura física das cidades.
Dados e IA melhoram gestões nos EUA
Sensores, smart grids, centros de operação e robotáxis começam a alterar trânsito, energia e segurança pública












