Independentemente da relação com Vorcaro, custo Master ficará como legado do ex-governador Cláudio Castro é alvo de buscas pela PF em investigação contra aportes do Rioprevidência no Banco Master — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Em menos de duas semanas, o ex-governador fluminense Cláudio Castro foi alvo de duas operações policiais, sob acusação de envolvimento em esquemas distintos de corrupção, com duas personalidades que há algum tempo deixaram as páginas de negócios e celebridades dos jornais para frequentar o noticiário policial: Ricardo Magro — o dono do grupo Refit foragido em Miami, considerado o maior sonegador do país, com dívidas tributárias estimadas em R$ 26 bilhões — e Daniel Vorcaro — cujo Banco Master, liquidado em novembro, era o epicentro de fraudes e de um ecossistema de tráfico de influência suprapartidário, com ramificações múltiplas pelos três Poderes. Castro nega todas as acusações. É essencial enfatizar que ele ainda não apresentou sua versão para os fatos desvendados pela Polícia Federal (PF) — e deverá ter o amplo direito de defesa que a Constituição assegura a todos. É possível que convença a Justiça de sua inocência. Mesmo assim, é lamentável que seja o sétimo ocupante do Palácio Guanabara em tempos recentes a enfrentar problemas judiciais — quatro foram presos, um cassado e só um inocentado. As acusações que o atingiram expõem o ponto a que chegou a contaminação da máquina estadual por esquemas criminosos. Além das denúncias de que Castro atuou para blindar e favorecer o Refit, a PF apresentou evidências persuasivas de vínculos suspeitos com as fraudes de Vorcaro. Pelas acusações, ele manteve no comando do fundo previdenciário dos funcionários do estado do Rio, o Rioprevidência, diretores comprometidos com as falcatruas. O fundo chegou a mudar normas de gestão para comprar algo como R$ 3 bilhões em papéis fajutos do Master, quando os apuros do banco já eram conhecidos. Castro, diz a PF, manteve encontros com Vorcaro em “sincronismo” com a liberação dos recursos do Rioprevidência. O dinheiro veio em boa hora para manter girando a roda de imposturas de Vorcaro. “Os elementos reunidos indicam, em tese, que Cláudio Castro mantinha vinculo próximo com Daniel Vorcaro e exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”, afirmou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na decisão que autorizou a operação. Já haveria crime apenas com o uso temerário dos recursos destinados a financiar a aposentadoria de 179 mil servidores ativos e dos 243 mil inativos ou pensionistas. A situação se torna ainda mais grave porque, em virtude da legislação em vigor, o Tesouro estadual é obrigado a cobrir qualquer rombo atuarial dos fundos previdenciários públicos, ainda que eles funcionem com autonomia como se fossem uma previdência privada. A conta, portanto, sobrará para o contribuinte fluminense, num momento em que o estado, com dívidas crescentes estimadas em R$ 225 bilhões, tenta se equilibrar entre regimes de recuperação fiscal para continuar a prover serviços básicos. Independentemente das conclusões da Justiça, o custo Master ficará como legado inequívoco da gestão Castro.