Duas dezenas de organizações ambientalistas alertaram que a protecção do lobo pode estar em causa com alterações propostas pelo Governo ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), e pedem a intervenção da ministra do Ambiente.O ministério da Agricultura e Mar (Magrim) propôs alterações ao PEPAC que entram em contradição com a protecção do lobo-ibérico, dizem as 21 organizações num comunicado divulgado esta quarta-feira, no qual apelam à ministra Maria da Graça Carvalho para que trave as alterações ao PEPAC.Lembrando que o lobo-ibérico é protegido desde 1988, as organizações de ambiente frisam que as alterações ao PEPAC contrariam a promessa da ministra, que em Setembro de 2024 disse que não haveria alterações na política nacional de protecção do lobo-ibérico.O Magrim propôs alterações que permitirão a beneficiários de apoios do PEPAC, como agricultores e produtores pecuários, continuar a receber financiamentos por prejuízos causados por lobos, mesmo se forem condenados por matarem lobos.“Estas alterações legitimam socialmente e na prática actos ilícitos e crimes”, promovem uma cultura de permissividade e geram incoerência nas políticas públicas.As organizações acrescentam: “Se legalmente se penaliza, e bem, quem abate esta espécie (ou qualquer outra que seja protegida), não se pode manter apoios para protecção da espécie aos mesmos que a abatem.”Ao contrário, dizem os subscritores do comunicado, é preciso contrariar essa tendência e alinhar a actuação com os objectivos do Programa Alcateia, apresentado pelo ministério da Ambiente e Energia no ano passado e que se destina precisamente a aumentar a protecção do lobo.Ao Estado cabe promover comportamentos ambientalmente responsáveis e coerentes com os objectivos de conservação, “assegurando que os instrumentos de apoio público não contribuem, directa ou indirectamente, para reforçar práticas lesivas da biodiversidade”, defendem os ambientalistas.As alterações propostas, para “simplificar” procedimentos para os beneficiários dos apoios do PEPAC, são “um sinal profundamente negativo para a sociedade e para o sector agropecuário, ao enfraquecerem a coerência entre os apoios públicos e os objectivos de conservação do lobo-ibérico.”As 21 organizações subscritoras incluem a Coligação C7 (WWF, Fapas, Geota, LPN, Quercus, Spea e Zero) e outras entidades como a Palombar, Rewilding Portugal ou Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA).