A Globo escalou Virginia Fonseca para comentar a Copa do Mundo, e o Brasil teve um colapso nervoso, muita gente indignada: "Ela não entende de futebol." "É uma vergonha." "Cadê os especialistas?" Especialistas, que palavra bonita e que ilusão perigosa.
Enquanto o Brasil discutia se Virginia sabe a diferença entre impedimento e escanteio, a Globo estava fazendo o que qualquer empresa séria faz: seguindo o dinheiro, e o dinheiro, hoje, segue a atenção.
Virginia Fonseca tem mais de 60 milhões de seguidores. Tem âncora de telejornal que não alcança esse número somando 30 anos de carreira, troféu de melhor jornalista e três pós-graduações.
O mercado já sabe o que o povo ainda se recusa a aceitar: audiência é a moeda mais valiosa do mundo e não é novidade nenhuma.
Jesus Cristo não tinha estúdio, não tinha diploma de teologia, não tinha coluna na Folha, mas tinha audiência. Milhares de pessoas paravam o que estavam fazendo para ouvi-lo numa colina e essa audiência mudou a história da civilização ocidental. Sem câmera, sem patrocinador, sem algoritmo.













