Nas florestas da América Central, os cantos do camundongo Scotinomys teguina, um pequeno roedor de cauda curta conhecido por sua comunicação, podem frequentemente ser ouvidos ecoando entre as árvores.

Esses minúsculos camundongos, cada um pesando menos que uma lâmpada, lançam sons únicos uns para os outros, que podem durar até 16 segundos. Tanto audíveis quanto ultrassônicos, eles fluem da boca dos espécimes, criando uma canção que lembra o zumbido de uma cigarra.

E as criaturas nunca se interrompem. Seguram suas pequenas línguas até que seu parceiro de conversa termine de cantar.

Os cientistas há muito se perguntam o que permite que esses animais tenham conversas tão complexas. Ao que parece, o cérebro deles pode não ser tão diferente em relação aos nossos.

Em um estudo publicado no dia 6 deste mês na revista Nature, pesquisadores descobriram que uma simples expansão das vias neurais existentes permitiu que esses camundongos ampliassem seu repertório vocal —a mesma mutação que se acredita ter aberto caminho para o desenvolvimento da linguagem humana.