Portugal voltou a cair no Índice de Percepção da Corrupção, o que significa que os portugueses têm uma imagem cada vez mais negativa do sector público, acreditando que é permeável à corrupção. O país tinha tido em 2024 o pior resultado de sempre, que se agrava em 2025 com a queda do 43.º lugar para o 48.º do índice.Esta tendência de queda está em linha com a Europa, e mesmo não podendo estabelecer um "nexo de causalidade", a Transparência Internacional Portugal aponta, pelo menos, "uma correlação" com o populismo crescente.O presidente da direcção da Transparência Internacional Portugal (TIP), José Fontão, disse à Lusa que parece haver uma correlação entre o que o índice traduz e "esta degradação das instituições, este crescimento de actores políticos mais populistas e que atacam as instituições tal como elas estão".Mas isso não significa que se possa extrair uma relação directa de causa e consequência, acrescentou.

No relatório do Índice de Percepção da Corrupção relativo a 2025, uma análise anual feita pela Transparência Internacional através da combinação de vários índices, Portugal registou 56 pontos (menos um do que no anterior), numa escala de zero (Estados altamente corruptos) a 100 (elevada integridade no combate à corrupção), num índex que abrange uma avaliação da percepção da corrupção no sector público em 182 Estados.Para José Fontão, mais preocupante do que a queda de posições na lista, é a tendência de queda de Portugal, que se acentua há quatro anos, mas que pode ser estendida até 2015, apesar de ligeiras oscilações positivas.O presidente da TIP explica o resultado com a queda de Portugal no índice da revista The Economist (Economist Intelligence Unit Country Ratings), um dos oito considerados para recolher informação sobre o país e que mede a prestação de contas das instituições governamentais e a alocação de fundos públicos, assim como a apropriação indevida de fundos públicos, seja por funcionários públicos, agentes políticos, ou até partidos políticos.A sucessão de casos judiciais a envolver membros do Governo ou outros órgãos políticos e partidos têm contribuído para a degradação da posição portuguesa, defendeu José Fontão."Este conjunto todo de casos que tem havido tem um impacto grande no espaço público, e isso condiciona percepções, e essas percepções são captadas pelo nosso índice, de forma indirecta, através dos outros índices, que abordam questões de governance e de corrupção. É óbvio que todos esses casos, seja a Spinumviva, seja as buscas da Operação Influencer, seja todos os casos que são conhecidos, de alguma forma têm que contribuir para uma percepção de corrupção em Portugal", disse.