Antes da crise do petróleo de 1973, a gasolina era barata e os carros saíam de fábrica equipados com motores potentes. Após o choque de preços, os potenciais compradores de veículos novos passaram a querer saber quantos quilômetros o veículo conseguiria percorrer com um litro de combustível.
Essa mudança de comportamento induziu a indústria a produzir carros mais econômicos, porém com menor potência. Na prática, o motorista sentia a diferença toda vez que precisava acelerar rapidamente para uma ultrapassagem segura na estrada. Percebia-se claramente o trade-off entre economia e performance.Um fenômeno semelhante ocorre hoje no setor elétrico brasileiro, mas com resultado distinto. Grandes consumidores que migraram do ACR (ambiente de contratação regulada) para o ACL (ambiente de contratação livre) fecharam negócios com usinas eólicas e solares, que oferecem condições imbatíveis para o preço da energia, medido em R$/MWh. No entanto, essas fontes são intermitentes: produzem quando a natureza permite, não necessariamente quando o consumo exige. Faltam-lhes a flexibilidade operacional e a potência necessárias para atender a uma demanda que oscila bruscamente ao longo do dia.
Diferentemente do comprador do "carro mil", o grande consumidor do ACL que compra energia de uma usina sem potência e sem flexibilidade ainda não sentiu a limitação de seu fornecedor porque é atendido pelo SIN (Sistema Interligado Nacional) —um pool de usinas—, não exclusivamente pela fonte que contratou. Ele paga apenas pela energia, mas usufrui gratuitamente tanto da potência quanto da flexibilidade providas pelas demais usinas do sistema.















