A cada crise internacional, o Brasil redescobre sua dependência de uma energia que move a economia real. Desde que o conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e EUA, reacendeu a instabilidade no mercado do petróleo, o diesel passou a oscilar em um ritmo que já supera as margens de previsibilidade usadas nos contratos do transporte rodoviário. Quando esse combustível sobe além do previsível, o efeito percorre a estrada, chega ao frete, alcança a indústria, o comércio e termina na prateleira do supermercado.

É por isso que transportadores autônomos e cegonheiros têm alertado para a necessidade de que toda cadeia logística deva assumir responsabilidades. O transportador autônomo, muitas vezes, não dispõe de força individual para renegociar preços diante de uma alta abrupta do diesel. O frete não nasce do abstrato. Ele carrega combustível, manutenção, tempo, risco e trabalho.

Queremos evitar que o preço do conflito no Oriente Médio apareça no arroz, no feijão, nos remédios, nos carros e nos demais bens que dependem das estradas para chegar ao destino. Mas há um limite para esse esforço. Nenhum contrato se sustenta quando seu principal custo muda de patamar, e a remuneração permanece como se nada tivesse acontecido.