O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a solicitação para incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito sobre a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. O pedido foi apresentado na semana passada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) após a revelação de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro repassou cerca de R$ 61 milhões, a pedido de Flávio, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do seu pai. A solicitação para que a PGR se manifeste é praxe. O órgão terá cinco dias para emitir um parecer com a análise dos requerimentos apresentados pelo deputado petista. A determinação de Moraes, relator do processo, data dessa segunda-feira (25). O inquérito relacionado a Eduardo foi instaurado em meados do ano passado para investigar a conduta do ex-deputado nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. O ex-deputado tornou-se réu por coação no curso do processo, acusado de tentar atrapalhar as investigações e o julgamento que resultou na condenação de seu pai por tentativa de golpe. Segundo a PGR, Eduardo articulou sanções dos EUA contra o Brasil e contra autoridades, entre elas ministros do STF. O ex-deputado nega. Há duas semanas, o site Intercept Brasil revelou a existências de mensagens de áudio e texto em que Flávio cobra de Vorcaro o envio de recursos para o filme do pai. Foram repassados R$ 61 milhões de R$ 134 milhões previstos. O dono do extinto Banco Master está preso por suspeita de práticas de crimes contra o sistema financeiro. Os diálogos ocorreram no ano passado. Os recursos foram enviados para um fundo sediado nos EUA pertencente a um advogado de Eduardo. Uma das suspeitas da Polícia Federal é que o dinheiro tenha sido usado para custear a permanência de Eduardo fora do Brasil. Na petição encaminhada ao STF, Lindbergh Farias solicita que o escopo do inquérito deve ser ampliado para apurar "possível conexão" entre o financiamento do filme e a atuação de Eduardo na articulação de medidas contra autoridades brasileiras. Deputado formulou 18 requerimentos Na formulação apresentada a Moraes, Lindbergh listou 18 requerimentos, que inclui a ampliação "objetiva" do inquérito, para apurar a suspeita de conexão entre os repasses de Vorcaro à atuação de Eduardo. O parlamentar pede também a ampliação "subjetiva" para incluir Flávio na investigação (por ter participado da cobrança dos valores) e também Jair Bolsonaro (como beneficiário dos fatos). Lindgbergh também pediu a imposição de medidas cautelares contra Flávio, como entrega passaporte e proibição de deixar o país sem autorização judicial, bloqueio de bens e sugeriu que a PGR avalie um pedido de cooperação jurídica com os EUA para ter detalhes sobre o caminho do dinheiro enviado por Vorcaro. Quando o teor das mensagens entre Flávio e Vorcaro veio à tona, o senador disse que os recursos foram integralmente usados para financiar o filme e que não havia irregularidades nos repasses. Flávio prometeu apresentar o contrato de financiamento e a prestação de contas do filme. Ele e Eduardo negaram que o dinheiro tenha custeado gastos pessoais do ex-deputado nos Estados Unidos.