Ainda não se sabe ao certo quanto tempo irá demorar o conflito no Médio Oriente que está a manter elevados os preços dos combustíveis e não são também conhecidos ainda os dados da taxa de inflação registada na zona euro durante o mês de Maio, mas os sinais que vêm de Frankfurt são cada vez mais de uma subida das taxas de juro já na próxima reunião, agendada para 11 de Junho.A mais de duas semanas do próximo encontro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), dois dos seus membros mais influentes, a alemã Isabel Schnabel e o irlandês Philip Lane, fizeram questão de passar uma mensagem clara sobre aquilo que poderá acontecer nessa reunião.Schnabel foi particularmente clara: numa entrevista publicada nesta terça-feira pela agência Reuters disse que, para o BCE, “passar ao lado” da crise energética trazida pela guerra no Irão já “deixou de ser uma opção”, o que significa, para a governadora, sem qualquer dúvida, que as taxas de juro têm de rapidamente subir para controlar a inflação. “Tendo em conta as perspectivas actuais, penso que uma subida das taxas de juro em Junho será necessária”, afirmou.
Para Isabel Schnabel, o problema que o BCE enfrenta é que, ao contrário do que eram as previsões da instituição em Março – de que a inflação ficaria em 2,6% neste ano num cenário base e em 3,5% num cenário mais adverso –, tudo aponta agora para que a inflação possa chegar aos 4% até ao final de 2026. Principalmente porque, disse a economista alemã, há “sinais crescentes” de que a inflação está a transferir-se dos bens energéticos para os outros bens e serviços.Em Abril, a taxa de inflação na zona euro situou-se em 3%, já consideravelmente acima dos 2% que se registavam antes do início da guerra e que são o objectivo de médio prazo do BCE. A estimativa inicial para a taxa de inflação de Maio irá ser divulgada pelo Eurostat nesta sexta-feira.Philip Lane, por seu lado, foi menos claro sobre aquilo que irá acontecer, mas ainda assim fez questão de preparar os mercados para um cenário de subida das taxas de juro com início já em Junho. O economista-chefe do BCE disse, numa entrevista ao jornal japonês Nikkei, que um cenário em que o BCE pudesse ignorar a subida dos preços da energia se estava a tornar cada vez “menos provável”, à medida que se adia um ponto final no conflito no Médio Oriente.O economista irlandês reconheceu ainda que, desde Março, o cenário se tinha tornado pior no que respeita aos preços, o que deverá forçar o BCE a rever em alta as suas previsões para a inflação no dia 11, o mesmo em que se realiza a reunião de decisão das taxas de juro.













