A NATO vai fortalecer a defesa do seu flanco Leste com uma nova estrutura que irá permitir o envio rápido de forças para a Letónia e Estónia em caso de guerra com a Rússia, de acordo com duas fontes com conhecimentos próximos do assunto citadas pela Reuters.Neste momento, as forças da NATO nos três Estados bálticos, assim como no Norte da Polónia, estão sob o comando de um único quartel-general sediado na cidade polaca de Estetino. A mudança planeada evidencia a importância estratégica dos bálticos que se tornaram num foco de atenção desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.A designação de um segundo corpo de exército para a região permitirá à NATO mobilizar “forças em grande escala e com rapidez”, como descreveu um oficial, para fazer face à profundidade estratégica limitada da região e à sua vulnerabilidade. Quando está totalmente operacional, um corpo de exército costuma comandar três divisões, ou seja, entre 40 mil e 60 mil tropas.

Em tempo de paz, existe normalmente como uma estrutura de comando mínima, com funções especializadas, tais como artilharia, defesa aérea e serviços médicos, para permitir a rápida mobilização de tropas quando necessário.A Alemanha e os Países Baixos, em coordenação com a NATO, chegaram a acordo para estabelecer o Corpo Germano-Neerlandês, sediado na cidade alemão de Munster, para a defesa da Letónia e da Estónia, segundo disseram fontes militares.Esta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve em Vílnius, capital da Lituânia, para um encontro com os chefes de Estado dos três países bálticos. A visita ocorreu numa altura de grande tensão por causa de vários incidentes com drones que, segundo as autoridades locais, são da responsabilidade da Rússia e põem em causa a segurança e a estabilidade da região.“A Europa está em total solidariedade e unidade com a Estónia, a Letónia e a Lituânia, porque quando os Estados bálticos são testados é a Europa no seu todo que está a ser testada”, afirmou Von der Leyen.O Presidente lituano, Gitanas Nauseda, disse que as incursões recentes de drones no espaço aéreo da NATO servem para recordar a proximidade da guerra travada pela Rússia na Ucrânia há mais de quatro anos.Os aliados europeus têm estado a assumir mais responsabilidade pela sua própria segurança, num contexto de muitas críticas por parte do Presidente dos EUA, Donald Trump, que recentemente acusou os membros europeus da NATO de não terem apoiado Washington na guerra com o Irão e anunciou a retirada de cinco mil tropas norte-americanas da Alemanha.Não é claro quando é que a decisão de reforço do flanco leste irá ter efeitos nem quantas tropas serão mobilizadas.