O ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Master, ex-CEO do Master — Foto: Marcelo Theobald/O Globo e Ana Paula Paiva/Valor O banqueiro Daniel Vorcaro financiou viagens e eventos com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) ao mesmo tempo em que o fundo de previdência dos funcionários do governo do estado, o Rioprevidência, realizava aportes de quase R$ 3 bilhões em papéis do Banco Master. As viagens e encontros dos dois, que envolviam “vínculo pessoal”, são apontados na decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), como fundamentais para viabilizar “alinhamento político necessário” para que os aportes do fundo de pensão do Rio no Master ocorressem. Esse processo, ainda segundo Mendonça, ocorreu por meio da nomeação de pessoas alinhadas ao esquema para cargos-chave no Rioprevidência: a presidência, ocupada por Deivis Marcon, que está preso desde fevereiro, e a diretoria e gerência de investimentos, ocupadas por Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal, respectivamente. De acordo com a decisão de Mendonça, tornada pública na manhã desta terça-feira (26), as conversas e encontros de Vorcaro e Cláudio Castro (frequentemente) ocorriam em dias anteriores aos aportes financeiros do fundo. E segundo a PF, conversas de dirigentes do fundo captadas na investigação indicam que alguns dos aportes dependiam de “alinhamento político” com o governador do PL. “A PF logrou êxito na reconstrução cronológica dos aportes realizados pelo Rioprevidência no Banco Master (...) indicando que as aplicações teriam sido precedidas ou acompanhadas de aproximação política, encontros pessoais e rearranjos administrativos no âmbito da autarquia previdenciária estadual”, descreve Mendonça na decisão. A alteração mais relevante para fazer os aportes ocorrerem foi troca dos gestores do fundo, que ocorreu a partir de julho de 2023, com a nomeação de Marcon Antunes para a presidência, e se completou em outubro, quando Lerner Rodrigues assumiu a diretoria de investimentos. No mesmo dia, o Master solicitou credenciamento junto ao fundo. O credenciamento ocorreu no dia 19 e, 13 dias depois, foi feito o primeiro aporte, de R$ 100 milhões. Ainda segundo Mendonça, os investimentos do Rioprevidência no Master continuaram mesmo após alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos que desaconselhar as operações. De acordo com o ministro, houve a “manutenção do fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica”. O Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) alertou em mais de uma ocasião o fundo sobre os riscos na aquisição de letras financeiras do Master. Em outubro de 2025, um mês antes da liquidação da instituição de Vorcaro pelo Banco Central (BC), o TCE proibiu o investimento neste tipo de título, que não tem cobertura do Fundo de Garantia de Créditos (FGC), pelo Rioprevidência. Mais recentemente, em dezembro passado, o Tribunal de Contas finalizou uma auditoria na qual apontou um “cenário de desordem administrativa” que ameaçava o patrimônio do fundo e descumpria a legislação previdenciária vigente. O TCE também recomendou na ocasião o afastamento de Deivis Marcon. Apesar disso, Castro o manteve no cargo. O então presidente do Rioprevidência só foi exonerado após ser alvo de uma operação de busca e apreensão da PF em fevereiro, quando estava no exterior. Ele foi preso após retornar ao Brasil no mês seguinte.
Daniel Vorcaro financiou viagens e eventos de Cláudio Castro até no exterior, diz PF
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