P3C: Novo ciclo de concessões exige estruturaçãoGabriel Ribeiro Fajardo, diretor de Concessões e Parcerias da CODEMGE, fala sobre os desafios para consolidar a nova fase da infraestrutura. Crédito: Imagens: Léo Souza e Deividi Correa/Edição: Laís NagayamaGerando resumoApós dúvidas sobre o apetite do mercado pela privatização da Copasa, a escolha do investidor de referência deverá ter concorrência, diferentemente do que ocorreu na Sabesp. A Equatorial protocolou participação no processo, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Em paralelo, a Itaúsa anunciou ter apresentado proposta ao lado dos demais acionistas da Aegea.Terminou nesta segunda-feira o prazo para apresentação das propostas para aquisição de até 30% da Copasa, participação avaliada em cerca de R$ 6 bilhões. Considerando também a venda das ações remanescentes, a operação poderá movimentar até R$ 10 bilhões, tornando-se uma das maiores do mercado brasileiro em 2026.A Assembleia Legislativa de Minas aprovou em 17 de dezembro o projeto de lei 4.380/25, que autoriza o governo mineiro a iniciar a desestatização da Copasa Foto: Alexandre Netto/ALMGPUBLICIDADEA divulgação do investidor de referência finalista está prevista para a quarta-feira, 27, seguida pelo processo de bookbuilding, utilizado para definir o preço final das ações da oferta. A precificação ocorrerá em 2 de junho.A Equatorial participa do processo após assumir o posto de acionista de referência da Sabesp em julho de 2024. Sem enfrentar concorrência, desembolsou cerca de R$ 7 bilhões para adquirir 15% da empresa paulista. A Sabesp chegou a avaliar participação na operação mineira, mas optou por priorizar a execução de seu plano de investimentos de R$ 70 bilhões em São Paulo e não avançou no processo.PublicidadeA formação do segundo grupo ajuda a esclarecer dúvidas sobre a capacidade da Aegea de participar sozinha da disputa pela participação na Copasa. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 31,55 bilhões e alavancagem de 3,89 vezes, ante 2,83 vezes um ano antes.Nesse contexto, a Itaúsa informou ter apresentado proposta por meio da Livorno. O capital social do veículo será dividido em participações de aproximadamente 33% para cada um dos atuais acionistas da Aegea, segundo fato relevante. Hoje, a companhia de saneamento tem como sócios a Equipav (52%), o fundo soberano de Singapura GIC (35%) e a Itaúsa (13%). Os três terão direitos iguais no acordo de acionistas da Livorno.Em comunicado separado, a Aegea esclareceu que também participa da estrutura da Livorno, mas com fatia inferior a 1% e sem assumir obrigações financeiras relacionadas à transação.PrivatizaçãoA Copasa está entre os principais ativos ainda sob controle estatal no setor de saneamento brasileiro. Com atuação em 636 municípios, atende cerca de 75% das cidades mineiras. A cobertura de água supera 99%, enquanto a de esgoto alcança 80,4%.PublicidadeEm 2025, a empresa registrou lucro líquido de R$ 1,42 bilhão e receita líquida de R$ 7,36 bilhões. Medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), a alavancagem encerrou o ano em 2,3 vezes.A desestatização ganhou tração na semana passada após o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizar o governo mineiro a prosseguir com o processo. A operação havia sido aprovada de forma definitiva pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em dezembro passado.Leia tambémCopasa destaca potencial de crescimento e ganhos regulatórios em roadshow de privatizaçãoColuna do Broadcast: Oferta de ações da Copasa pode ficar para junho por entraves no TCE e decisão do STFColuna do Broadcast: Aegea conta com bolso de acionistas para disputar a CopasaApós a definição do investidor de referência, será realizada a oferta das ações remanescentes ao mercado, estimada em até R$ 4 bilhões. Os recursos arrecadados, que podem atingir R$ 10 bilhões, deverão ser destinados principalmente ao pagamento de dívidas do Estado com a União.Com a operação, o governo de Minas Gerais reduzirá sua participação de 50% para até 5% do capital da companhia, ante os cerca de 18% preservados pelo Estado de São Paulo após a privatização da Sabesp. O Estado continuará com prerrogativas específicas de governança na Copasa por meio de uma ação especial (golden share). Publicidade