O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real na sessão desta segunda-feira, em movimento alinhado ao observado na maioria dos mercados mais líquidos no exterior. A dinâmica refletiu a menor percepção de risco global devido aos avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O pregão também foi marcado por uma liquidez mais baixa do que o normal devido ao feriado de Memorial Day nos EUA. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,0185, depois de ter tocado na mínima de R$ 4,9938 e batido na máxima de R$ 5,0210. Já o euro comercial exibiu valorização de 0,11%, a R$ 5,8420. Perto das 17h10, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, depreciava 0,27%, aos 98,976 pontos. O pregão desta segunda-feira foi marcado por um alívio no prêmio de risco global, o que beneficiou moedas de mercados emergentes. O real chegou a apresentar um dos melhores desempenhos da sessão, mas ao longo do dia foi perdendo o destaque. Em relatório sobre moedas, o banco Deutsche Bank aponta que gosta da venda do dólar contra o real (apostando a favor da moeda brasileira). “Nossa visão otimista para o real teve bom desempenho no último ano e ainda não vemos razões fortes para abandoná-la, apesar do ruído eleitoral. O real continua oferecendo um dos maiores rendimentos entre os mercados emergentes, e o BC pretende conduzir o ciclo de afrouxamento monetário com cautela daqui para frente, atraindo operações de ‘carry trade’”, dizem estrategistas do banco. Além do já mencionado, o banco aponta que o setor externo tem mostrado resiliência. “O choque do petróleo deve impulsionar as exportações da commodity, já que o Brasil é um exportador líquido de energia; a reversão das tarifas dos EUA e o aprofundamento das relações comerciais com China e União Europeia — este último impulsionado pelo acordo UE-Mercosul — devem sustentar as exportações”, dizem. Para o banco, há dois riscos para a visão positiva sobre o real. “O posicionamento parece carregado, já que posições compradas em real têm sido uma operação consensual recentemente, e a elevada incerteza eleitoral pode pressionar a moeda”, afirmam. “No entanto, se tomarmos as eleições de 2022 como referência, o real não sofreu uma desvalorização significativa com a vitória de Lula, e podemos argumentar que fundamentos macroeconômicos relevantes (inflação, balança comercial, juros reais e riscos fiscais) estão em posição melhor agora.”