O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, pediu nesta segunda-feira (25) que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu retome os bombardeios contra Beirute em resposta ao aumento dos ataques com drones explosivos do Hezbollah contra tropas israelenses e cidades do norte de Israel. Os comentários de Smotrich ocorreram após um soldado israelense morrer em um ataque de drone do Hezbollah no domingo. A imprensa israelense informou que Smotrich fez declarações semelhantes durante reunião de gabinete no domingo. “Os drones explosivos que atingem nossos combatentes não são uma fatalidade”, afirmou em comunicado. “Para cada drone explosivo, 10 prédios deveriam cair em Beirute.” A mídia israelense informou que Netanyahu rejeitou as exigências de Smotrich e preferiu medidas defensivas. Um porta-voz de Netanyahu se recusou a comentar. Smotrich, líder de um pequeno partido da ultradireita da coalizão de Netanyahu, frequentemente faz declarações que vão além da política oficial israelense, incluindo a defesa de que Israel anexe o sul do Líbano e Gaza. Outro ministro ultranacionalista, Itamar Ben-Gvir, afirmou que Israel não deve normalizar a realidade dos drones explosivos. “Chegou a hora de o primeiro-ministro bater na mesa de Trump e dizer a ele que estamos voltando à guerra no Líbano”, disse Ben-Gvir. Pessoas seguram bandeiras do Hezbollah durante uma homenagem à retirada de Israel do sul do Líbano em 2000, nos subúrbios do sul de Beirute, Líbano, em 25 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Raghed Waked Drones usados nos ataques Nas últimas semanas, o Hezbollah vem usando drones kamikaze FPV (“First Person View”/”Visão em Primeira Pessoa”), baratos e fáceis de montar, transformando a guerra que trava desde que começou a disparar contra Israel em 2 de março, dias após o início dos ataques americano-israelenses contra o Irã. Controlados por cabos de fibra óptica, os drones FPV conseguem escapar das tecnologias israelenses de interferência eletrônica e atingir tropas israelenses que ocupam o sul do Líbano durante um frágil cessar-fogo anunciado em 16 de abril, uma semana após o início da trégua mais ampla da guerra contra o Irã. Com exceção de um ataque que teve como alvo um comandante do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute no início deste mês, não houve bombardeios contra a capital ou arredores desde que os EUA anunciaram um cessar-fogo em 16 de abril. Ainda assim, Israel e Hezbollah continuam trocando tiros no sul do Líbano. O Hezbollah convocou um ato nos subúrbios do sul de Beirute para a noite desta segunda-feira em comemoração ao 26º aniversário do Dia da Libertação, quando tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano em 2000. No domingo à noite, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, endureceu o discurso contra o Estado libanês, dizendo que a população tinha o direito de ir às ruas e derrubar o governo do Líbano, embora sem fazer um chamado direto para que apoiadores do Hezbollah o fizessem. Smotrich afirmou ter aprovado um orçamento de 2 bilhões de shekels (US$ 693 milhões) para soluções tecnológicas destinadas a enfrentar a ameaça dos drones. “A resposta a uma ameaça significativa deve ser significativa”, declarou Smotrich, acrescentando que Israel precisa mudar as regras e a equação. Pesquisas mostram o partido de Smotrich enfrentando dificuldades para ultrapassar a cláusula de barreira e entrar no Parlamento nas eleições previstas para o fim do ano. A imprensa israelense informou que, durante a reunião de gabinete, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir, também afirmou que prédios em Beirute deveriam ser atingidos em resposta aos ataques de drones. Um porta-voz militar se recusou a confirmar as declarações.