O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Abbas Araghchi, estão em Doha para conversas com o primeiro-ministro do Catar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito, afirmou nesta segunda-feira (25) uma autoridade informada sobre a visita. As discussões estão focadas principalmente na reabertura do Estreito de Ormuz e no estoque iraniano de urânio altamente enriquecido, disse a autoridade à Reuters. O presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, também integra a delegação para discutir a possível liberação de fundos iranianos congelados como parte de um acordo final, segundo a autoridade. As conversas ocorrem enquanto o Irã tem afirmado que avançou em "muitas questões" nas negociações com os Estados Unidos para estender por 60 dias um frágil cessar-fogo acertado entre os dois países e reabrir Ormuz. O país persa, porém, advertiu que o anúncio de um acordo não era iminente, enquanto detalhes continuam pendentes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, chegou a culpar Washington pela demora em concluir o acordo, dizendo que o governo de Donald Trump segue mudando de posição, o que, segundo ele, "naturalmente prejudica quaisquer negociações". Baghaei, que tem assumido um papel maior nas negociações, acrescentou que os dois países "chegaram a conclusões sobre muitas questões", mas que isso não significa que "estamos perto de assinar um acordo". Nesta segunda-feira, Trump disse em postagem na Truth Social que “as negociações com a República Islâmica do Irã estão avançando muito bem”. O presidente americano ameaçou, por outro lado, que “haverá um grande acordo para todos — ou nenhum acordo — e então voltaremos ao campo de batalha e aos tiros, mas maiores e mais fortes do que nunca antes”. “Ninguém quer isso!”, prosseguiu. Trump também disse ter pedido para que os países do Golfo “obrigatoriamente assinem imediatamente” os Acordos de Abraão como parte dos esforços americanos para alcançar um acordo com o regime dos aiatolás. “Se o Irã assinar seu acordo comigo, como presidente dos Estados Unidos da América, será uma honra tê-lo também como parte desta incomparável coalizão mundial”. Os Acordos de Abraão foram uma série de acordos diplomáticos firmados a partir de 2020 para normalizar as relações entre Israel e os demais países do Oriente Médio. O Egito e Emirados Árabes Unidos são algumas das nações que integram o acordo. Eles receberam esse nome em referência a Abraão, uma figura comum no judaísmo, cristianismo e islamismo.
Enviados do Irã estão no Catar para negociações sobre possível acordo com EUA, diz autoridade
Discussões estão focadas principalmente na reabertura do Estreito de Ormuz e no estoque iraniano de urânio altamente enriquecido














