Uma equipe de negociação do Catar chegou a Teerã nesta sexta-feira, em coordenação com os Estados Unidos, para ajudar a garantir um acordo que encerre a guerra com o Irã e resolva questões pendentes, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto. Doha, que atuou como mediadora na guerra em Gaza e em outras tensões internacionais, havia até agora evitado assumir um papel de mediação no conflito com o Irã depois de ter sido alvo de mísseis e drones iranianos durante os confrontos mais recentes. O Paquistão, que tem atuado intensamente na mediação das negociações, também se reuniu com autoridades iranianas nesta sexta-feira. Dois dias depois de apresentar aos iranianos a mais recente mensagem dos EUA nas negociações, o ministro do Interior, Syed Mohsin Naqvi, realizou outra rodada de conversas com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Teerã, informaram as agências de notícias semi-oficiais Tasnim e ISNA. Embora tenha surgido sinais de que os dois lados buscavam um acordo, o programa nuclear iraniano ainda era um impasse. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na quinta-feira que não permitiria ao Irã seguir com suas reservas de urânio enriquecido. Duas fontes iranianas de alto escalão disseram à Reuters, antes dos comentários de Trump, que o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia emitido uma diretriz determinando que o urânio não deveria ser enviado para o exterior. O presidente dos EUA também criticou as intenções de Teerã de cobrar taxas de navios que utilizem o estreito. “Queremos que ele permaneça aberto, queremos que seja livre. Não queremos pedágios”, disse Trump. “É uma via navegável internacional.” O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres na quinta-feira que houve “alguns bons sinais” nas conversações, mas não poderia haver solução se Teerã impusesse um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz, fechado para a maioria dos navios após o início da guerra em 28 de fevereiro.