Ainda não há unanimidade sobre estarmos ou não em uma bolha da inteligência artificial, mas as empresas já começam a enfrentar a primeira onda de processos movidos por investidores insatisfeitos com as promessas vendidas ao mercado, como se a IA fosse uma bala de prata capaz de cortar custos, acelerar produtividade e aumentar lucratividade instantaneamente.

Em 2025, 17 ações coletivas ("class actions") foram movidas contra empresas nos Estados Unidos apontando que promessas relacionadas a investimentos em IA e seus impactos nos resultados das companhias eram exageradas ou enganosas. A tendência chama atenção porque a tecnologia ainda é recente, mas já aparece em quase 10% das novas disputas federais envolvendo investidores e empresas listadas.

Os números vêm de um levantamento obtido com exclusividade pela coluna, elaborado pela Howden, grupo global especializado justamente na proteção de executivos envolvidos nesse tipo de disputa, por meio de seguros de D&O (responsabilidade civil para administradores). O documento completo está disponível para download no site Monitor do Mercado (clique aqui para baixar).

Esses processos envolvem o chamado "AI washing", expressão inspirada no "greenwashing" ambiental. Na prática, empresas estariam inflando ou distorcendo o uso de inteligência artificial em suas apresentações para melhorar percepção institucional, inflar ou sustentar seu "valuation" ou convencer investidores de que estavam na fronteira da inovação. Mas tudo não passaria de tópicos no PowerPoint.