Sedcon e Procon-RJ pedem manutenção do pagamento em espécie nos ônibus; prefeitura afirma que 95% das passagens já são pagas por meios digitais O novo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD) — Foto: Foto de Gabriel de Paiva em 17/07/2025 / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/05/2026 - 16:05 Prefeito do Rio critica ação para manter pagamento em dinheiro nos ônibus O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, criticou a ação do Procon-RJ e da Sedcon que visa manter o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais, chamando-a de proteção a "interesses escusos". A partir de 30 de outubro, os ônibus aceitarão apenas pagamentos digitais, medida que, segundo a prefeitura, já abrange 95% das passagens. A ação judicial argumenta que a mudança impacta negativamente consumidores vulneráveis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após ação movida pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e pelo Procon-RJ para manter o pagamento em dinheiro nos ônibus e barrar mudanças no sistema Jaé, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), criticou os órgãos estaduais neste domingo (24). Durante a entrega de 100 novos ônibus na Zona Oeste, o prefeito classificou a resistência à digitalização como uma tentativa de preservar “interesses escusos” e reafirmou que as mudanças entram em vigor no próximo dia 30. A partir dessa data, os ônibus municipais deixarão de aceitar dinheiro em espécie como forma de pagamento. Além disso, as integrações tarifárias do Bilhete Único Carioca (BUC) e do Bilhete Único Margaridas (BUM) passam a funcionar exclusivamente por meio do chamado “cartão preto” do sistema Jaé ou QR Code via aplicativo. Segundo Cavaliere, os órgãos estaduais “tentaram interromper a implementação do Jaé”. Ele reforçou que a meta da prefeitura é eliminar a circulação de dinheiro vivo no sistema. — Fico surpreso com esses órgãos, que não têm a capacidade sequer de esconder a preferência pela circulação de dinheiro. Não sei qual é o interesse deles, mas sabemos que é enorme o medo que parte desses organismos estranhos, de interesses escusos, têm de que a transformação feita na cidade chegue ao Estado do Rio de Janeiro. Não queremos dinheiro vivo circulando, porque o que temos visto, em operações da Polícia Federal que inclusive prenderam deputados da Assembleia Legislativa, é dinheiro vivo em caixas de sapato e malas — afirmou. Na manhã de sábado, o prefeito já havia se manifestado nas redes sociais contra a reação de parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que apresentaram um projeto proibindo estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço de recusarem pagamentos em espécie. A proposta surgiu após o anúncio da prefeitura sobre a ampliação dos meios digitais no transporte público da capital. Cavaliere afirmou que a circulação de cédulas favorece “o esquema da máfia”. Neste domingo, ele voltou a afirmar que cerca de 95% das passagens de ônibus no Rio já são pagas sem uso de dinheiro em espécie. A prefeitura argumenta que a retirada gradual das cédulas pode reduzir assaltos, acelerar o embarque e ampliar o controle sobre a arrecadação das empresas de ônibus. O prefeito também disse que a administração municipal está “serena e tranquila” quanto à implementação da medida. Segundo a Sedcon e o Procon-RJ, porém, as mudanças foram anunciadas de forma abrupta, sem ampla campanha de conscientização e sem estrutura adequada para atender toda a população usuária do transporte público. Os órgãos afirmam que a medida pode impactar diretamente milhares de consumidores, especialmente idosos, pessoas sem acesso à internet, cidadãos desbancarizados, trabalhadores informais, turistas, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social, que dependem do pagamento em espécie ou enfrentam dificuldades para acessar meios digitais. — Tenho certeza de que a Justiça vai fazer valer a lei e o acordo judicial que permitiu essas transformações. Só conseguimos reformar os BRTs e avançar nos ônibus municipais porque a Justiça viabilizou isso, inclusive com o apoio do Ministério Público. As instituições sérias, que funcionam, vão saber distinguir o que é política pública e transformação na vida das pessoas do que é oportunismo e defesa de interesses escusos — declarou o prefeito. Na ação, os órgãos pedem que a Justiça determine a manutenção do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais, a suspensão da exclusividade do cartão Jaé e do QR Code para integrações tarifárias, além da elaboração de um plano de contingência com ampla campanha de informação à população. O pedido inclui ainda prazo mínimo de 30 dias de adaptação após comunicação efetiva aos consumidores e reforço na estrutura de atendimento aos usuários do sistema. A ação também solicita aplicação de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das medidas.
'Oportunismo e interesses escusos': prefeito do Rio rebate ação do Procon contra fim do dinheiro nos ônibus e defende Jaé
Sedcon e Procon-RJ pedem manutenção do pagamento em espécie nos ônibus; prefeitura afirma que 95% das passagens já são pagas por meios digitais











