O coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Paulo Fernandes, considera que o conteúdo do relatório da Presidência Aberta sobre o mau tempo tem um “grande alinhamento” com o PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência. “Eu vejo um grande alinhamento entre muitas das sugestões, propostas, reflexões estratégicas que traz o relatório e muitas das medidas que estão no PTRR”, afirmou à agência Lusa Paulo Fernandes.Após ser questionado se lê no documento uma crítica ao Governo, Paulo Fernandes acrescentou: “Numa situação destas, é sempre muito mais relevante olharmos para aquilo que nos junta e para aquilo em que, de facto, há uma concertação ou um alinhamento estratégico do que, obviamente, falarmos de outras questões”.O PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 Janeiro e 15 de Fevereiro, e que visa preparar o país “para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo, segundo o Governo.
No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre os dias 6 e 10 de Abril nas zonas afectadas pelas tempestades, hoje noticiado pelo PÚBLICO, o Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que “se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.“As preocupações identificadas ao longo da Presidência Aberta são claras: a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do Inverno”, refere.O relatório aponta ainda que a governação da crise gerada pelas tempestades de Janeiro e Fevereiro “revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade". “A crise expôs debilidades no aviso, na comunicação de risco, na articulação entre níveis da administração, na clareza dos interlocutores sectoriais, no enquadramento do apoio militar, na interoperabilidade entre plataformas e na capacidade de tratamento administrativo da informação”, refere o documento.Referindo identificar-se com o documento, Paulo Fernandes considerou-o “muito importante”, não só “uma reflexão sobre um dos acontecimentos naturais mais dramáticos” da história do país, como também o facto de o Presidente da República ter uma “enorme preocupação de procurar ser parte sempre também construtiva de soluções, de propostas”.Por outro lado, considerou que António José Seguro procurou saber como é que estavam a correr as respostas (apoios). “Foram criadas respostas muito rápidas e muito eclécticas”, destacou Paulo Fernandes, admitindo que a necessidade de rapidez e a complexidade de medidas diversas “trouxeram outros problemas”, como a criação de plataformas, regulamentação ou harmonização entre entidades.










