Os responsáveis mundiais de saúde entraram numa corrida contra o tempo para descobrir opções terapêuticas que ajudem a conter o surto do Ébola no Leste da República Democrática do Congo, ligado à espécie Bundibugyo do vírus.Ao contrário da espécie do Zaire, mais comum e responsável pelos maiores surtos do Ébola, não existem vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo. Actualmente, há cerca de 600 casos suspeitos e 139 mortes associadas ao surto, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os números provavelmente continuarão a aumentar. O vírus Bundibugyo tem uma taxa de mortalidade de até 40%.Está a ser avaliado um pequeno conjunto de vacinas e terapias experimentais, a maioria apenas respaldadas para já por limitados dados de estudos em animais. A maioria dos candidatos a vacinas e terapias ainda não foi testada em humanos e exigiria uma autorização de utilização de emergência para ser aplicada na República Democrática do Congo.

Estas são as vacinas, antivirais ou testes de diagnóstico que podem ajudar no combate ao actual surto do vírus do Ébola.Uma vacina específica para o vírus Bundibugyo, a rVSVΔG/BDBV-GP, que utiliza a mesma tecnologia da vacina Ervebo da Merck, aprovada para a espécie do Zaire do vírus do Ébola, demonstrou ajudar na sobrevivência em primatas não-humanos num estudo experimental realizado em 2023.Um porta-voz da Universidade Médica do Texas (Estados Unidos), cujos investigadores participaram nesse estudo, afirmou que as discussões para o avanço da vacina estão em curso, mas nada está finalizado. A OMS indicou que existiria um prazo potencial de seis a nove meses para o fabrico de uma vacina rVSV Bundibugyo.Outra candidata a vacina baseada na tecnologia ChAdOx1, utilizada na vacina da Oxford/AstraZeneca contra a covid-19, está a ser fabricada pelo Instituto Serum da Índia.A empresa iniciou a produção sob a sua “estrutura de resposta a emergências”, juntamente com a Universidade de Oxford e a Coligação para Inovação na Preparação para Epidemias, assim que soube do surto este mês, disse um porta-voz. As doses podem estar prontas dentro de dois a três meses, indica a OMS, embora ainda não tenham sido sequer realizados estudos em animais, pelo que são necessários mais testes.A Coligação para Inovação na Preparação para Epidemias (ou CEPI, na sigla em inglês), que financiou algumas das primeiras vacinas contra a covid-19 e tem como propósito disponibilizar as doses até 100 dias após um surto, disse estar em negociações com ambos as candidatas a vacinas sobre como acelerar o desenvolvimento, que provavelmente se concentrará na realização de estudos pré-clínicos ao mesmo tempo que são fabricadas mais doses.