Hoje, há duas vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) contra o vírus do Ébola — a Ervebo e a combinação Zabdeno e Mvaeba. E destas apenas a primeira existe disponível em armazém para usar a qualquer momento. Qual é o problema? Estas vacinas apenas respondem a uma espécie do Ébola, a do Zaire. Mas há outras três espécies do vírus sem quaisquer vacinas prontas a actuar, uma das quais responsável pelo surto activo agora em África e que já matou 105 pessoas. Um novo estudo responde, com sucesso, a uma ânsia antiga dos cientistas: criar uma vacina universal que ataque várias espécies de Ébola ao mesmo tempo. Para já, os primeiros resultados em ratinhos mostram que é possível.Mais concretamente, uma equipa de cientistas das universidades chinesas de Anhui e Hefei testou a capacidade de uma única vacina proteger ratinhos contra três espécies de Ébola: a espécie do Zaire, a espécie do Sudão e a espécie Bundibugyo. A vacina experimental, quando administrada duas semanas antes da infecção, garantiu a sobrevivência dos animais que foram depois infectados com estes vírus. Em alguns casos, os ratinhos infectados mantiveram essa protecção durante mais de um ano (o máximo foram 17 meses), mostrando a durabilidade da imunidade contra estes vírus.Os vírus do Ébola são altamente contagiosos e têm elevadas taxas de mortalidade. Há quatro tipos de vírus do Ébola que podem ser transmitidos a humanos: a do Zaire, a do Sudão, a da Floresta de Tai e a Bundibugyo. Esta última espécie é responsável pelo actual surto na República Democrática do Congo e no Uganda, que a OMS decretou como emergência de saúde pública internacional este fim-de-semana. O vírus Bundibugyo tinha provocado, até esta segunda-feira, 393 casos suspeitos e 105 mortes.