Uma jovem sem hijab (véu islâmico) dirige uma moto em uma rua movimentada, passa por um policial e acena.

Essa sequência de fatos, inimaginável alguns meses atrás, tornou-se comum em Teerã desde o início da guerra contra Israel e Estados Unidos e foi testemunhada inúmeras vezes pela reportagem da Folha.

Dirigir motocicletas é o ato de rebeldia das jovens iranianas. Até fevereiro, mulheres não conseguiam tirar carteira de motorista para dirigir motos no país, apesar de não serem formalmente proibidas. Autoridades consideravam que mulheres dirigindo motos ficavam muito expostas e que isso seria anti-islâmico.

Ainda assim, muitas se arriscavam. A estudante de finanças Mahtab, 20, comprou sua moto em dezembro e dirigia sem carta. "Eu amo minha moto, e as pessoas apoiam, fazem joinha quando me veem", disse à Folha.

Em fevereiro, o governo baixou uma medida oficialmente autorizando a concessão da carteira de moto para mulheres.