PUBLICIDADE Ilha comunista já chegou a reunir 200 mil militares e ter uma das melhores forças aéreas da América Latina; agora, analistas afirmam que Exército é apenas ‘uma casca do que já foi’ Manifestantes marcham em ato do Dia do Trabalhador diante da Embaixada dos EUA em Havana, em meio à pressão americana sobre Cuba — Foto: Lisette Poole/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 13:02 Declínio Militar em Cuba: Forças Armadas Enfrentam Crise e Tensão com EUA Aumenta O poder militar de Cuba, outrora robusto durante a Guerra Fria, está em declínio, com apenas 40 a 45 mil soldados atualmente. Especialistas afirmam que o Exército e a Força Aérea são sombras do que foram, incapazes de confrontar os EUA. As tensões com Washington aumentam, com acusações mútuas e sanções. Cuba reforça sua defesa civil e alerta para as consequências de um possível conflito militar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No auge da Guerra Fria, as Forças Armadas de Cuba mobilizaram milhares de soldados bem treinados. Com apoio da então União Soviética, o país chegou a reunir mais de 200 mil militares e enviou tropas para conflitos que iam de Angola à Síria. Décadas mais tarde e em meio à pressão americana, o Exército cubano é hoje um fantasma do que já foi: segundo levantamento do Wall Street Journal, o contingente da ilha caiu para cerca de 40 a 45 mil militares da ativa, divididos em três partes para defender o leste, oeste e centro do país. Da mesma forma, a Força Aérea cubana já foi considerada uma das melhores da América Latina, equipada com modernos caças soviéticos MiG, enquanto a Marinha ostentava três fragatas construídas pela União Soviética. Hoje, o pequeno número de aviões de guerra do país provavelmente nem consegue voar, e os navios da Marinha cubana não operam além das pequenas embarcações utilizadas pela guarda costeira, disse ao WSJ Frank Mora, responsável pela política de defesa para a América Latina no governo do ex-presidente Barack Obama. — Cuba tinha um Exército de Primeiro Mundo em um país de Terceiro Mundo — disse Mora, acrescentando que hoje o país já não tem nenhuma chance contra as Forças Armadas dos Estados Unidos. — É uma casca da casca do que já foi. Ainda assim, Donald Trump assinou, em janeiro, um decreto classificando Cuba como “uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana. O texto acusa o governo cubano de manter relações com grupos considerados terroristas pelos Estados Unidos, organizações criminosas transnacionais e rivais de Washington, como Rússia e China. Na quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, repetiu o discurso, afirmando que as chances de um acordo pacífico com Havana são “baixas”. Filho de imigrantes cubanos, Rubio, que há muito critica o governo de Havana, acusou Cuba de abrigar bases de inteligência chinesas e russas, enfatizando que “ter um Estado falido a 144 km” das costas americanas “constitui uma ameaça à segurança nacional”. Por sua vez, o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou Rubio de “mentiras”, afirmou que a ilha jamais representou uma ameaça aos Estados Unidos e criticou o secretário por tentar “instigar uma agressão militar” contra Havana. Dias antes, os EUA também anunciaram o indiciamento de Raúl Castro, ex-presidente cubano de 94 anos e um dos líderes históricos da Revolução Cubana, sob acusações de assassinato. Paralelamente, Washington, que buscou reforçar sua presença militar no Caribe, também impôs novas sanções contra integrantes da cúpula militar da ilha. Nos últimos meses, os cubanos têm enfrentado longos apagões e escassez de alimentos, retrato de uma crise de combustível que tem sido agravada pelo bloqueio americano. 300 drones Citando informações de inteligência, o site Axios publicou nesta semana que Havana adquiriu 300 drones e trabalhava em planos para potencialmente lançá-los contra a base naval americana da Baía de Guantánamo — ou até mesmo Key West, na Flórida — caso Cuba seja atacada. Para o especialista Brian Fonseca, no entanto, as notícias sobre os drones e o indiciamento de Castro fazem parte de uma narrativa construída pelo governo americano para justificar uma invasão ou outra ação militar contra Cuba caso as negociações fracassem. — Os EUA vazaram isso para fazer Cuba parecer uma ameaça iminente — disse Fonseca, da Universidade Internacional da Flórida, ao WSJ. — Os militares cubanos jamais fariam um ataque preventivo contra os EUA. Seria suicídio. Ao mesmo tempo, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, alertou nesta semana que uma ação militar contra a ilha provocaria um “banho de sangue de consequências incalculáveis”. Antes disso, ele havia prometido lutar e morrer em defesa do país caso os EUA atacassem. A estratégia defensiva cubana continua baseada na doutrina conhecida como “Guerra de Todo o Povo”, criada por Fidel Castro em 1980 no contexto pós-Guerra do Vietnã. A proposta prevê uma ampla mobilização da população civil para resistir a uma invasão estrangeira. Desde a deterioração das relações com os EUA, o governo cubano intensificou o que chama de “dias nacionais de defesa” para treinar a resistência contra invasores. Imagens de televisão mostram idosos disparando fuzis AK-47 desgastados e mulheres plantando minas terrestres. Um vídeo mostrou carroças puxadas por bois transportando peças de artilharia. Os militares cubanos também seriam prejudicados em qualquer confronto pelo bloqueio americano às remessas de petróleo para a ilha, que produz apenas 40% da necessidade diária de petróleo bruto. Cuba enfrenta apagões nacionais diários, que às vezes duram dias. As ruas estão vazias em meio à falta de combustível até mesmo para os transportes mais essenciais. Segundo Craig Deare, que atuou no primeiro governo Trump no Conselho de Segurança Nacional, as tropas em Cuba não têm conseguido treinar e nem manter seus armamentos, o que afeta a moral e motivação dos militares, fatores também relevantes. — Talvez os fuzis funcionem e talvez eles tenham munição — disse Deare. — Mas, quando você enfrenta os melhores do mundo, não tem chance. Não há indicação de que Cuba possua capacidade ofensiva, mas o país poderia travar uma guerra de sobrevivência em caso de invasão americana, afirmou Evan Ellis, professor de estudos latino-americanos da Escola de Guerra do Exército dos EUA. Segundo ele, tudo dependeria “de quanto tempo eles conseguiriam resistir com táticas de guerrilha”: — A estratégia central do Partido Comunista Cubano é sobreviver.
Com poderio militar em declínio, Cuba tem poucas chances de defesa em caso de ataque dos EUA, avaliam especialistas
Ilha comunista já chegou a reunir 200 mil militares e ter uma das melhores forças aéreas da América Latina; agora, analistas afirmam que Exército é apenas ‘uma casca do que já foi’














