O governo federal revisou nesta sexta-feira (22) a sua projeção para o resultado primário do governo central deste ano, de superávit de R$ 3,5 bilhões para superávit de R$ 4,1 bilhões. Os números levam em conta Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central (BC). A meta para 2026 é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas admite um déficit zero neste ano, devido ao intervalo de tolerância de 0,25 ponto do Produto Interno Bruto (PIB) para mais ou para menos. O dado divulgado nesta sexta-feira (22) faz parte do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas relativo ao segundo bimestre do ano, divulgado há pouco pelos Ministérios do Planejamento e Orçamento e da Fazenda. Levando em conta os precatórios e outras deduções permitidas por lei, a projeção do governo federal passou de déficit de R$ 59,8 bilhões (-0,4 % do PIB) para déficit de R$ 60,3 bilhões (0,4% do PIB). Receitas A estimativa de receitas primárias em 2025 subiu R$ 20,5 bilhões, para R$ 3,218 trilhões, na comparação com o relatório anterior. Por sua vez, a estimativa para as receitas líquidas subiu R$ 4,4 bilhões, para R$ 2,581 trilhões. A projeção de receitas do governo federal com concessões e permissões para 2026 subiu R$ 0,1 bilhão em relação à estimativa anterior, para R$ 6,6 bilhões. A arrecadação esperada com dividendos e participações, por sua vez, subiu R$ 0,8 bilhão, alcançando R$ 55,4 bilhões. O governo espera ainda arrecadar R$ 172,5 bilhões com a exploração de recursos naturais, R$ 4,6 bilhões a menos do que calculado anteriormente. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo zerou a receita esperada de R$ 31 bilhões com leilões de petróleo em 2026. Essa receita havia sido incluída na Lei Orçamentária Anual (LOA) e foi mantida na primeira revisão do Orçamento, feita em março. Em relação à receita adicional que é gerada com o aumento do barril do petróleo, Moretti afirmou que o governo está sendo conservador na incorporação dessa arrecadação extra. "A gente está apropriando esse aumento de brent que vocês viram na grade para venda de óleo, para os royalties, porque é um movimento consolidado e repercute na receita não administrada, amortecendo essa queda de R$ 31 bilhões em função da revisão do leilão das áreas não contratadas do pré-sal", explicou Moretti. Já a projeção de receitas administradas pela Receita Federal ficou em R$ 2,052 trilhões (alta de R$ 19,2 bilhões). As comparações são sempre em relação ao relatório anterior e as projeções são para o ano. Despesas Já a previsão para as despesas primárias subiu R$ 4,9 bilhões, para R$ 2,642 trilhões. A estimativa para as despesas obrigatórias subiu R$ 30,1 bilhões, para R$ 2,422 trilhões. Por sua vez, a projeção para as despesas discricionárias (aquelas que podem ser cortadas livremente, como investimentos) caiu R$ 25,2 bilhões, para R$ 219,5 bilhões. — Foto: Pixabay