Sede da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) — Foto: Reprodução Após o Bradesco BBI vender na Faria Lima a Celepar como uma mina de ouro, um novo documento sigiloso sobre o “Projeto Nex”, plano de privatização da estatal, desta vez elaborado pela consultoria EY-Parthenon, detalha os caminhos possíveis para lucrar mais com a desestatização. Com160 páginas, o relatório funciona como um roteiro da transformação da Celepar em empresa privada e prevê mudanças profundas no corpo de funcionários, incluindo demissões em massa e ampliação da terceirização. Hoje, a empresa tem 1.009 funcionários próprios e 122 terceirizados. A principal recomendação da consultoria é a chamada “otimização de headcount” — expressão usada no mercado para redução de pessoal. O texto defende enxugamento de áreas administrativas, reorganização interna e aumento da terceirização, uma vez que a Celepar ainda opera com estruturas “típicas do setor público”. O próprio relatório admite o risco dessa estratégia. Entre mais de mil trabalhadores, a consultoria identificou apenas 70 funcionários como “key talents” — profissionais essenciais para evitar a “descontinuidade do negócio”. Para eles, a EY sugere bônus e mecanismos de retenção. Os outros mais de 900 empregados ficaram fora das recomendações de proteção estratégica. Outro ponto sensível é a mudança na relação entre a companhia e o governo do Paraná. O documento considera que os contratos atuais da Celepar dão margem ampla para demandas do estado e recomenda transformar o Paraná em um cliente submetido a contratos mais rígidos, específicos e limitados. Na prática, o governo perderia a flexibilidade histórica de usar a estatal como braço tecnológico imediato da administração pública. O relatório ainda propõe discutir o futuro da Fundação Celepar (Funcel) e da PreviCel. No caso do fundo previdenciário dos funcionários, a EY sugere três cenários: manutenção, encerramento com devolução dos valores aos participantes ou privatização da gestão do fundo. Já a Funcel, que hoje utiliza estruturas cedidas pela companhia, poderá ser obrigada a pagar aluguel, vender ativos ou até encerrar operações.
Relatório sigiloso da Celepar prevê demissões, mudanças na PreviCel e terceirização em massa
Relatório sigiloso da Celepar prevê demissões, mudanças na PreviCel e terceirização em massa













