A França elaborou uma resolução para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a criação de uma missão internacional para restaurar a navegação no Estreito de Ormuz e poderá apresentá-la caso haja condições políticas favoráveis. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores francês nesta sexta-feira (22), enquanto Washington enfrenta dificuldades para levar à votação um texto que Rússia e China consideram tendencioso contra o Irã. O controle da estreita hidrovia, considerada rota vital para o comércio global de energia e cuja virtual paralisação provocou disparada dos preços do petróleo, é um dos principais obstáculos nas negociações para encerrar a guerra entre EUA e Irã, que já dura três meses. Uma resolução apresentada por Estados Unidos e Bahrein sobre o estreito vem sendo discutida há mais de duas semanas, mas a votação foi repetidamente adiada diante dos sinais de que China e Rússia poderiam vetá-la. O projeto americano-bareinita exige que o Irã interrompa ataques e a instalação de minas no estreito. China e Rússia vetaram em abril um texto semelhante apoiado pelos EUA, alegando que ele era parcial contra Teerã. Washington conseguiu apoio de cerca de 140 países como patrocinadores da proposta na tentativa de evitar um veto, afirmaram dois diplomatas europeus. A França, outro membro permanente com poder de veto, até agora se recusou a apoiar o texto dos EUA. “Existe atualmente um projeto de resolução entre EUA e Bahrein em discussão. Esse texto serve de base para as negociações em curso. A data da votação ainda não foi anunciada”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Pascal Confavreux. Conselho de Segurança discute ataques ao Irã — Foto: Heather Khalifa/Reuters O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que Paris em breve apresentará uma iniciativa na ONU, enquanto França e Reino Unido trabalham para montar uma missão internacional destinada a restaurar a liberdade de navegação no estreito quando as condições permitirem e após consultas com Washington e Teerã. “Estamos trabalhando em uma missão internacional para restaurar a liberdade de navegação. Também preparamos, como membro permanente, um projeto de resolução que poderá ser discutido se as condições forem favoráveis”, disse Confavreux. A ofensiva diplomática dos EUA na ONU contrasta com os últimos meses, período em que Washington atuou majoritariamente fora da estrutura das Nações Unidas, realizando ataques militares contra o Irã sem autorização do Conselho de Segurança e pressionando aliados a participar de patrulhas navais para garantir a liberdade de navegação.