A Polícia Federal identificou o repasse de R$ 14,2 milhões realizado em 2024 de um fundo de investimentos ligado à refinaria Refit para uma empresa de familiares do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A transação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e é mencionada no pedido da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de maio e que levou à deflagração da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas à Refit e ao empresário Ricardo Magro, que seria controlador da refinaria – a Refit diz que o empresário não faz parte do seu quatro de acionistas. Ciro não foi alvo da operação. A PF cita a transação envolvendo a empresa chamada Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA e uma empresa que pertencia a um dos fundos que aparecem nas investigações sobre a Refit e que é suspeito de fazer parte do esquema de ocultação de patrimônio do grupo empresarial responsável pela refinaria fluminense. A Refit é atualmente uma das maiores devedoras de impostos do país e teve R$ 52 bilhões bloqueados na Operação Sem Refino por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A transação envolvendo a empresa de parentes de Ciro foi identificada pela PF a partir de análise de comunicações do Coaf envolvendo pessoas e empresas investigadas no âmbito da Operação Sem Refino. Na representação a PF não traz mais detalhes sobre a transação e nem aprofunda sobre ela, o que deve ser feito nas próximas etapas da investigação. A PF também chegou a identificar transações realizadas em 2025 que somam R$ 1,3 milhão destinados a Jonathas Assunção, que foi secretário-executivo da Casa Civil no período em que Ciro foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro. A PF identificou que os valores foram enviados pela Refit e outras empresas do setor de combustíveis para uma empresa de consultoria de Jonathas. A investigação sobre a Refit abrange uma complexa estrutura de empresas, fundos de investimentos e laranjas que teriam atuado para atender aos interesses de Ricardo Magro, apontado pela PF como controlador da Refit, o que o grupo empresarial nega. Dentre as suspeitas levantadas pela PF está a de que a Refit teria se utilizado da sofisticada estrutura para ocultar bens de credores no âmbito de seu processo de recuperação judicial. Compra de terreno Ao Estadão, o senador afirmou que a transação foi para a aquisição de um terreno para a construção de uma distribuidora de combustíveis de forma regular e declarada. "O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis", diz a nota divulgada pelo jornal. "O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado. Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.", segue o texto. O senador não retornou às tentativas de contato do Valor. A reportagem não conseguiu localizar Jonathas Assunção.