PUBLICIDADE Núcleo familiar de chefe máximo do PCC controlava esquema de lavagem de dinheiro por meio de transportadora criada pela facção, segundo investigações Condenado por tráfico e homicídio, Marcola, que está em presídio federal de Rondônia, era um dos presos que facção pretendia resgatar — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 12:37 Operação Vérnix: Família de Marcola e Deolane Bezerra são alvos de investigação por lavagem de dinheiro A Operação Vérnix, deflagrada pelo MP-SP e Polícia Civil, revelou um esquema de lavagem de dinheiro controlado pela família de Marcola, líder do PCC. A transportadora Lado a Lado, em Presidente Venceslau, era usada para integrar recursos ilícitos ao sistema financeiro. Deolane Bezerra, advogada e influenciadora, foi presa por suposta ligação com o esquema. Alejandro Camacho, irmão de Marcola, coordenava as operações mesmo preso, com ajuda de seus filhos Paloma e Leonardo, que fugiram do país. Paloma foi presa em Madri, e Leonardo está na Bolívia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O núcleo familiar de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, chefe máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), controlava o esquema de lavagem de dinheiro operado pela transportadora Lado a Lado, localizada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, expôs como a hierarquia criminosa é mantida por meio de vínculos de sangue, para garantir a circulação de ativos ilícitos na economia formal. Mesmo presos no sistema penitenciário federal, o líder do PCC e o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, utilizavam seus sobrinhos e filhos como intermediários para a movimentação dos recursos oriundos do tráfico de drogas. Na operação desta quinta, foi presa a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, suspeita de ter recebido valores provenientes da facção criminosa por meio da empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula da facção. Segundo doumentos obtidos pelo GLOBO, a transportadora Lado a Lado foi criada pela própria facção para servir de braço financeiro à cúpula. A estrutura contava com uma divisão de tarefas definida. As ordens de gestão patrimonial partiam de dentro dos presídios e eram executadas por operadores nas ruas. Esse arranjo familiar assegurava que os recursos provenientes do tráfico fossem integrados ao sistema financeiro, sob o manto de respeitabilidade empresarial. Alejandro, também conhecido como Marcolinha ou Gordão, é apontado como um dos proprietários da transportadora. Da Penitenciária Federal de Brasília, onde está preso, determinava a aquisição de frotas de caminhões e estabelecia os percentuais de divisão dos lucros. A liderança dele era central para a manutenção do fluxo de caixa da organização, com a participação dos filhos para enviar as ordens para fora. A função de mensageira e gestora indireta cabia à Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola. Após visitar o pai no presídio, Paloma repassava instruções imediatas ao responsável operacional, com mensagens como “30% é pro L” — em referência ao seu irmão — para orientar a partilha do dinheiro. Para ocultar o rastro dos valores, Paloma se valia de contas bancárias e linhas telefônicas em nome de terceiros, o que, segundo as investigações, configura blindagem patrimonial. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, filho de Alejandro, figurava como beneficiário direto das quantias branqueadas pelo esquema familiar. Análises em suas contas revelaram movimentações de aproximadamente R$ 746 mil, sendo que 40% desse montante era proveniente de depósitos em espécie não identificados. Leonardo também recebia repasses de outras empresas investigadas por lavagem de dinheiro. Com o avanço das investigações, os dois sobrinhos de Marcola deixaram o país: Paloma foi para Madri, na Espanha, enquanto Leonardo fugiu para a Bolívia, onde permanece sem ter um passaporte válido. A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos e a inclusão de seus nomes na Lista de Difusão Vermelha da Interpol. Paloma é alvo de um mandado de prisão preventiva e de bloqueio de bens sob a suspeita de atuar como intermediária e destinatária de recursos ilícitos, mas ainda não foi presa. Leonardo também se encontra foragido. Na manhã desta quinta, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve na região de Bauru (SP), comentou a operação policial que deteve a influenciadora Deolane Bezerra. Segundo Tarcísio, um homem identificado como Everton de Souza, operador financeiro do PCC, tinha uma caixa, contendo de dinheiro, com o nome de Deolane. – Foi preso também um operador do esquema, inclusive com uma caixa de dinheiro com remetente [destinatário], para quem iria, que era para a própria influenciadora. Enfim, R$ 327 milhões de reais de recursos foram bloqueados, além de bens. Só em carros de luxo foram quase R$ 9 milhões de reais apreendidos hoje – afirmou Tarcísio. Quem é quem Deolane Bezerra: Deolane ganhou projeção nacional em 2021, após a morte de MC Kevin, de quem era noiva. Antes da fama, ela atuava como advogada criminalista e, com a repercussão do caso envolvendo MC Kevin, ampliou a atuação como influenciadora digital, participou de programas de TV e passou a ter forte presença no universo das apostas on-line. Ela já havia sido presa em 2024 pela Polícia Civil de Pernambuco durante uma operação contra uma organização investigada por lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Everton de Souza (ou "Player"): É apontado como o operador financeiro da organização criminosa. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, ele aparece dando orientações sobre distribuição de dinheiro e indicando para quais contas os recursos deveriam ser transferidos. Marco Willian Herbas Camacho (vulgo "Marcola" ou "Narigudo"): É apontado como o líder máximo do PCC. Mesmo isolado no sistema penitenciário federal, figura como beneficiário e controlador indireto do esquema de lavagem de dinheiro operado pela transportadora Lado a Lado. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo "Marcolinha" ou "Gordão"): Irmão de Marcola. É apontado como um dos proprietários da transportadora utilizada para lavagem de dinheiro e exercia controle decisório direto mesmo preso. Paloma Sanches Herbas Camacho: Sobrinha de Marcola e filha de Alejandro. Atuava como mensageira da cúpula, repassando ordens financeiras de seu pai para os operadores do esquema após visitas à penitenciária federal. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (vulgo "L"): Sobrinho de Marcola e filho de Alejandro. Identificado como beneficiário direto dos lucros da transportadora e de depósitos em espécie não identificados.