Deputados e senadores cobraram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a leitura de requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes no Banco Master. O Congresso realiza uma sessão conjunta nesta quinta-feira (21). Alcolumbre, no entanto, se recusou a ler o requerimento. O regimento comum do Legislativo determina que, após um pedido de CPMI reunir o número mínimo de assinaturas — um terço dos senadores e um terço dos deputados —, o requerimento deve ser obrigatoriamente lido em sessão do Congresso. Atualmente, há três pedidos protocolados no sistema do Legislativo para a criação de colegiados investigativos sobre o escândalo financeiro. “O momento da leitura é um ato discricionário da presidência da Mesa do Congresso Nacional. Feito esse esclarecimento de ordem técnico-regimental, esta presidência gostaria também de pedir sensibilidade dos congressistas quanto ao motivo da convocação desta sessão congressual, com pauta previamente estabelecida, composta por quatro dispositivos de um único veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias”, afirmou. Segundo Alcolumbre, a sessão foi convocada para analisar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, e não para tratar de outros temas. Na última sessão conjunta, realizada para a derrubada dos vetos do Executivo ao projeto de lei que diminui as penas dos condenados do 8 de janeiro, Alcolumbre fez um acordo com os parlamentares do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro para que não houvesse pressão para a abertura de uma CPMI do Master e que a derrubada do veto fosse pauta única. A instalação da comissão tornou-se alvo de disputa tanto entre a base aliada do governo Lula quanto da oposição. Um dos opositores a cobrar a CPI foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente. Flávio passou a defender com mais ênfase a investigação do Master após o site Intercepet Brasil revelar que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do banco, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões de R$ 134 milhões previstos. Flávio nega haver irregularidades na transação. A Polícia Federal avalia investigar o destino do dinheiro. A revelação da ligação com Vorcaro deu início a uma crise política na pré-campanha do senador. Na tribuna da Câmara dos Deputados, onde é realizada a sessão do Congresso, Flávio atacou o trabalho da Polícia Federal e disse que a CPMI do Master é necessária para apurar a relação de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima [ex-sócio de Vorcaro] sentados naquela CPMI, falando qual é a relação que eles tinham com o Flávio Bolsonaro e também qual a relação que eles tinham com o Lula, qual a relação que eles tinham com o Alexandre de Moraes. Eu não tenho nada a temer, eu não tenho nada a esconder", afirmou. Sobre a PF, Flávio disse haver influência do governo Lula no órgão e voltou a criticar a troca da chefia do inquérito sobre as fraudes do INSS, que pode atingir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A PF disse que a mudança não interfere na condução das investigações, mas o STF considera abrir um procedimento para avaliar as circunstâncias da mudança. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), também cobrou a instalação da CPMI. De início, os aliados de Lula foram contra a criação de um colegiado sobre o tema. Depois, entretanto, assim como a oposição, passaram a utilizar o pleito como uma bandeira eleitoral. "A Constituição não confere margem de discricionariedade política ao presidente do Congresso Nacional para decidir acerca da conveniência ou oportunidade de instalação de CPI, quando preenchidos os requisitos constitucionais. Não se trata de faculdade política, conveniência administrativa, acordo de lideranças ou cálculo circunstancial, mas do exercício de prerrogativa constitucional assegurada às minorias parlamentares e do cumprimento do dever fiscalizatório inerente ao Poder Legislativo", disse Uczai. Outros parlamentares que articularam assinaturas também falaram, como os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Luiz Lima (Novo-RJ). Apesar da cobrança pública no Congresso, parlamentares consideram improvável que Alcolumbre cedesse à pressão. Eles avaliam que a proximidade com o período eleitoral do segundo semestre torna inviável o funcionamento de um colegiado do tipo. Fraudes financeiras bilionárias Daniel Vocarco foi preso preventivamente na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março. O ex-banqueiro é suspeito de praticar crimes financeiros de cifras bilionárias envolvendo o Banco Master. No fim de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master. Também em novembro foi deflagrada a primeira fase da Compliance Zero. O ministro André Mendonça é o relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Operações da PF, autorizadas pela Corte, já resultaram na prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que também negocia um acordo de colaboração com PF e com a PGR. Autoridades investigam o envolvimento de integrantes do Banco Central no esquema e de outras autoridades. No começo do mês, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de mandados de busca e apreensão por suspeita de recebimento de vantagens econômicas indevidas em troca de favores para beneficiar os negócios de Vorcaro. O senador rebate essas informações. Flávio Bolsonaro não é formalmente investigado até o momento.
Parlamentares cobram, mas Alcolumbre rejeita ler requerimento para instalar CPI do Master
Base de Lula e oposição pressionam presidente do Congresso por comissão para investigar Vorcaro











