Mercedes-AMG G63, Cadillac Escalade e Range Rover estão entre os SUVs de luxo apreendidos pela Polícia Civil em operação contra lavagem de dinheiro Carros apreendidos na operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra — Foto: Maria Isabel/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 11:22 Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC. A polícia apreendeu uma frota de SUVs de luxo, avaliada em mais de R$ 8 milhões, e bloqueou R$ 27 milhões em bens de Deolane. A operação, iniciada em 2019, investiga transações financeiras suspeitas ligadas à transportadora usada para lavar dinheiro da facção criminosa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A fila de SUVs estacionados em frente à sede da Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira contou, sem precisar de explicação, parte da história que os investigadores da Operação Vérnix tentam reconstruir há anos. Range Rover, Cadillac Escalade e Mercedes-Benz AMG G63 ocupavam o mesmo trecho da rua, cercados por agentes fortemente armados, enquanto Deolane Bezerra era levada para o interior da delegacia. A Mercedes que mais chamou atenção é uma G63 V8 Biturbo na cor preta fosca — um dos modelos mais caros da linha AMG, com preço de tabela que ultrapassa R$ 1 milhão no Brasil. O veículo chegou escoltado pela imprensa pelas ruas do centro paulistano antes de ser estacionado na área restrita da delegacia, ao lado de um Cadillac Escalade preto, outro utilitário de luxo cuja versão mais equipada supera os R$ 800 mil. Veja fotos dos veículos apreendidos na operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra 1 de 4 Mercedes-AMG G 63 apreendido na operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra — Foto: Maria Isabel/Agência O Globo 2 de 4 Carros apreendidos na operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra — Foto: Maria Isabel/Agência O Globo X de 4 Publicidade 4 fotos 3 de 4 Carros apreendidos na operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra — Foto: Maria Isabel/Agência O Globo 4 de 4 Carros de Deolane Bezerra foram apreendidos durante Operação Vérnix, realizada pelo MP-SP e pela Polícia Civil. Na foto, um Cadillac Escalade, que pode custar até R$ 2 milhões no Brasil — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo X de 4 Publicidade Frota apreendida reúne SUVs com preço unitário de até R$ 1 milhão Completando a fila, uma Range Rover cinza na versão topo de linha fechava o conjunto. Os três modelos figuram entre os SUVs mais valorizados do mercado brasileiro e são associados ao estilo de vida ostentação que Deolane exibia nas redes sociais — e que, segundo a investigação, não encontrava respaldo na renda formal declarada pela influenciadora. No total, a Justiça determinou o bloqueio de 39 veículos ligados aos investigados, com valor estimado em mais de R$ 8 milhões. A decisão integra um pacote mais amplo de medidas que incluiu também o congelamento de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da própria Deolane. Entenda a operação A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula da facção. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora, valor que, segundo os investigadores, possui indícios de lavagem de dinheiro e origem não comprovada. A operação também teve mandados expedidos contra integrantes ligados ao alto escalão da facção, incluindo Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva será apenas comunicada ao sistema penitenciário. Entre os alvos estão ainda Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do criminoso; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da influenciadora, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela. Também foram alvo da operação o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador ligado ao grupo investigado. Investigação aponta uso de transportadora para lavar dinheiro A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado em uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC. Segundo os investigadores, Everton “Player” aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de recursos da empresa e indicando contas para destino do dinheiro. Paloma Camacho é suspeita de atuar na Espanha intermediando negócios da família, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria na Bolívia e seria destinatário de parte dos valores lavados. Marcola e Alejandro estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados. As investigações começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material originou três inquéritos sucessivos. O primeiro identificou ordens internas da facção e menções a ataques contra servidores públicos. O segundo buscou aprofundar a ligação da transportadora com o grupo criminoso. Já em 2021, a Operação Lado a Lado apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da empresa como estrutura de lavagem de dinheiro do PCC. Durante essa operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O aparelho revelou detalhes sobre movimentações financeiras da empresa Lopes Lemos Transportes, também chamada Lado a Lado Transportes. A partir desse material surgiu uma nova frente investigativa ligada a conexões financeiras com Deolane Bezerra. Os investigadores afirmam que Ciro comprava caminhões, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles. No celular apreendido, a polícia encontrou imagens de depósitos favorecendo contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza. Ciro Cesar Lemos e a esposa estão foragidos. Polícia cita depósitos fracionados e movimentações incompatíveis Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão. Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação. Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro. A polícia afirma ainda que Everton “Player” indicava contas da influenciadora para “fechamentos” mensais do esquema. As investigações apontam também quase 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas a Deolane, somando R$ 716 mil. Os valores partiram de uma empresa que se apresenta como banco de crédito e cujo responsável, segundo os investigadores, recebe cerca de um salário mínimo mensal. A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC. A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.