A Igreja e Mosteiro da Cartuxa, no concelho de Oeiras, e o Palácio do Picadeiro, no município do Fundão, são os mais recentes monumentos classificados como de interesse público. Emitidas pelo Gabinete do Secretário de Estado da Cultura, as portarias com estas informações foram publicadas esta semana em Diário da República.A Igreja e o Mosteiro da Cartuxa de Santa Maria Vallis Misericordiae ficam em Laveiras, no concelho de Oeiras, e a sua classificação foi feita, de acordo com o texto publicado em Diário da República, como uma forma de distinguir o seu “interesse como testemunho simbólico ou religioso”, assim como o “seu valor estético, técnico e material intrínseco”, a sua “concepção arquitectónica, urbanística e paisagística” e ainda a sua importância na memória colectiva.O antigo mosteiro agora classificado resulta da instituição da Cartuxa de Lisboa de 1598. “O mosteiro original, levantado no vale da ribeira de Barcarena e estruturado em torno de um pequeno claustro, respeitava a tipologia de um ‘deserto’ cartuxo, rodeado de muros e terrenos garantindo a reclusão e o sustento da comunidade”, lê-se no texto com a classificação, assinalando-se ainda que a primeira igreja foi demolida por volta de 1736 e substituída por uma construção financiada por D. João V, tendo depois esta sido danificada pelo terramoto de 1755.O edificado actual “terá mantido a delimitação primitiva da segunda metade do século XVII, consolidada ao longo da centúria seguinte”, refere-se no documento. No espaço, há uma igreja, dependências monásticas anexas, um claustro principal e celas dos padres. No exterior, a fachada terá influência italiana e, no interior – onde já existiram telas de Francisco Vieira Lusitano e de Domingos Sequeira – está um retábulo-mor setecentista.“A Cartuxa de Laveiras, um dos dois únicos cenóbios cartusianos do país, chegou ao século XIX enfrentando diversas vicissitudes, incluindo as Invasões Francesas, a revolução de 1820 e, em 1834, a extinção definitiva do mosteiro, que a partir de então teve diversos usos, implicando obras de adaptação, demolições e a anexação de edifícios modernos”, nota-se no documento.