No dia 14 de Maio de 2026, a Museus e Monumentos de Portugal (MMP) divulgou “as listas de obras adquiridas em 2025 no âmbito da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais e da Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea [para integrar a Colecção de Arte Contemporânea do Estado, CACE]". Os Museus e Palácios, através da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios (CABC) composta por cinco directores, adquiriram 16 peças para “oito equipamentos” no valor de 650 mil euros. No mesmo ano de 2025, a Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea (CAAC) gastou 780 mil euros (58 obras de 35 artistas), sem esgotar os 800 mil euros que lhe estão atribuídos.Segundo um anexo do mesmo relatório, houve outras “incorporações e doações” que reforçaram o acervo de 15 museus e monumentos. Neste caso, não são revelados valores, nem se distingue o que possa ter sido comprado e o que terá sido doado. Finalmente: nenhuma das compras realizadas para os museus e monumentos apresentam as razões, ao contrário de cada uma das compras que integram a CACE; não é revelado se o orçamento executado pela MMP, no montante de 650.000, é agora um valor de referência, o que contraria a portaria n.º 230/2025/1, que enuncia aquele montante num milhão de euros. Numa ambiência carregada de obscuridades, alguns directores disseram-me que não lhes foi comunicado o orçamento para aquisições. Quanto à possibilidade de haver compras feitas por outros canais que não a CABC, como é sugerido num dos anexos, nada se esclarece e nada se percebe.A minha primeira sugestão é que os museus e palácios passem a divulgar nos seus sites as compras realizadas, as que propuseram e não foram concretizadas e as doações. E destaquem, quando for o caso, o carácter mecenático de algumas aquisições, como, por exemplo, a de três belíssimas pinturas da primeira fase da obra de Carlos Botelho por 80 mil euros, valor que poderia ser, em mercado, o preço de cada uma. Tal só terá sido possível num diálogo próximo entre a família generosa e o empenho da directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado.
Trinta e quatro pobres de um irmão rico
A minha primeira sugestão é que os Museus e Palácios passem a divulgar nos seus sites as compras realizadas, as que propuseram e não foram concretizadas e as doações.






