O Estado adquiriu a pintura Os Bêbados, de José Malhoa, por 400 mil euros, para a colocar no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, anunciou esta sexta-feira a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP).A obra de José Malhoa (1855-1933) foi a mais relevante do conjunto de 16 peças compradas em 2025 por proposta da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais, num total de perto de 650 mil euros, divulgou a MMP em comunicado.A comissão foi constituída pelo presidente do conselho de administração da MMP e pelos directores do Museu Nacional de Arte Antiga, do Museu Nacional de Machado de Castro, do Museu Nacional de Arqueologia, do Museu do Abade de Baçal, do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém.Como recordam os documentos da MMP, a Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais "tem como principal competência propor a aquisição de bens culturais de excepcional relevância patrimonial, considerados fundamentais para as colecções dos museus, monumentos e palácios, devendo para o efeito identificar os bens culturais que, fundadamente, devam incorporar as colecções nacionais e analisar propostas de aquisição apresentadas pelos directores dos museus, monumentos e palácios sob gestão da MMP".A lista de aquisições inclui ainda uma natureza morta de Henrique Pousão, para o Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, a gravura Descida da Cruz, de Domingos Sequeira, para o mesmo museu do Porto, três pinturas de Carlos Botelho e duas de Bertina Lopes para o Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, e um painel de azulejos para o Museu Nacional do Azulejo, entre outras.Os Bêbados ou Festejando o São Martinho, de 1912, começou por ser comprado pelo Conde de Ameal a José Malhoa, fazendo depois parte da colecção do advogado e antigo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian José de Azeredo Perdigão (1896-1993), segundo informação disponibilizada pela leiloeira Cabral Moncada quando a obra foi a leilão em 2011.Faz parte de uma série de quadros pintados por José Malhoa em torno das "consequências do vício e [do] excesso", como explicava, em 2011, o historiador de arte Nuno Saldanha, que lembrava que a obra de 1912 é a terceira versão de Festejando o São Martinho, mais "comedida" do que a de 1907, de dois metros por um metro e meio, que faz parte da colecção do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado e está exposta no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha."Esta versão de 1912 não se trata pois de um mero remake das versões anteriores, ou de uma cópia, como sucedeu noutras situações. Ela é um reflexo do trabalho intenso que Malhoa desenvolveu, ao longo de uma década, de um tema que lhe interessou de modo particular", acrescentou, então, Nuno Saldanha.Questionada pela Lusa sobre o porquê de o quadro agora adquirido ter como destino o Museu do Abade de Baçal e não o Museu José Malhoa, onde chegou a estar exposto na década de 1950, fonte oficial da MMP explicou que a afectação "decorre de deliberação unânime dos membros da Comissão para a Aquisição de Bens Culturais"."O museu de Bragança integra no seu acervo um núcleo de obras pictóricas do Naturalismo, que muito será valorizado com a incorporação formal de Os Bêbados", acrescentou a mesma fonte.
Estado adquire quadro de José Malhoa por 400 mil euros para Museu do Abade de Baçal
Museus e Monumentos de Portugal comprou em 2025 um total de 16 peças, propostas pela Comissão para a Aquisição de Bens Culturais para os Museus e Palácios Nacionais.







