No Summit Valor Brazil-USA, em Nova York, o CEO Gustavo Werneck destacou investimentos em data centers, energia solar e contou por que a produtora de aço não pretende parar de expandir pela região Gustavo Werneck, CEO da Gerdau: 'É muito provável que nos próximos anos os três países [Estados Unidos, México e Canadá] sejam priorizados na alocação de capital que a companhia irá realizar.' — Foto: Vanessa Carvalho Em 1999, quando a Gerdau listou suas ações na bolsa de valores de Nova York e começou a comprar usinas de aço nos Estados Unidos, o país ainda era uma fronteira de expansão. Vinte e sete anos depois, ele é o motor da empresa. A América do Norte hoje responde por 75% do Ebitda consolidado da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a divisão norte-americana registrou o melhor resultado ajustado para um primeiro trimestre desde 2022, gerando R$ 2,2 bilhões de um total consolidado de R$ 3 bilhões. Essa posição é o resultado de quase três décadas construindo uma presença industrial que hoje não depende de exportações do Brasil, porque a Gerdau opera nos Estados Unidos como uma empresa regional, com 13 unidades de produção entre aços longos e aços especiais, fornos elétricos e sucata reciclada como matéria-prima exclusiva. Enquanto o debate sobre tarifas de aço importado domina Washington, a empresa assiste de um lugar diferente. As tarifas da Seção 232, que incidem sobre importações de aço, não afetam uma operação que produz e vende localmente. Setores prioritários A demanda que alimenta essa estrutura vem de setores específicos. Data centers são um dos mais expressivos: segundo o CEO Gustavo Werneck, US$ 40 bilhões estão sendo investidos nesse segmento nos Estados Unidos, gerando um consumo de aço bastante substancial para a divisão norte-americana. Infraestrutura (pontes, aeroportos, viadutos) e energia solar completam o trio de vetores que o executivo apontou como principais impulsionadores da demanda atual, durante painel do Summit Valor Brazil-USA, em Nova York, no dia 13 de maio. A própria Gerdau está dentro desse movimento de energia. O parque solar de Midlothian, no Texas, construído ao lado de uma das usinas da empresa, já está em operação. São 187 mil painéis solares, com capacidade de 80 megawatts, suficiente para o consumo médio de 14 mil residências no estado, segundo a companhia. A empresa prevê concluir no quarto trimestre deste ano a construção de uma linha de processamento de aço para projetos de energia solar na mesma unidade, com capacidade adicional de 90 mil toneladas de perfis estruturados. Os investimentos não param aí. A expansão da unidade de Midlothian para aços longos recebeu um aporte de R$ 1,2 bilhão e previsão de conclusão da primeira fase no segundo semestre deste ano, com meta de ampliar a produção anual em 250 mil toneladas e potencial ganho de Ebitda estimado em R$ 275 milhões. A unidade de aços especiais de Monroe, no Michigan, que tem capacidade de atender tanto ao setor automotivo quanto o de máquinas pesadas, também seguirá recebendo investimentos para seguir suprindo a demanda futura dos clientes. A lógica por trás desse volume de capital alocado fora do Brasil tem uma explicação prática. Enquanto a energia industrial no Brasil custa cerca de US$ 16 por metro cúbico de gás natural, nos Estados Unidos a empresa paga US$ 4. "É incomparável a facilidade, do ponto de vista do acesso e do custo, de montar uma operação nos Estados Unidos", disse Werneck durante o painel. O executivo também citou o crescimento de fábricas de semicondutores instaladas em território norte-americano como exemplo concreto de demanda que chega até o aço da Gerdau. "A gente segue investindo na América, na certeza de que a indústria aqui vai voltar", afirmou. Do lado dos segmentos com mais cautela, o executivo mencionou o setor automotivo: o americano está trocando menos de carro, e a idade média da frota atualmente chega a 15 anos. A construção residencial também segue em ritmo mais lento. São os únicos pontos de demanda reprimida num quadro que, para a Gerdau, é de expansão. "Estamos muito satisfeitos com tudo que construímos até aqui nos Estados Unidos", disse Werneck. "É muito provável que nos próximos anos os três países [Estados Unidos, México e Canadá] sejam priorizados na alocação de capital que a companhia irá realizar."
Operações da Gerdau na América do Norte respondem por 75% do Ebitda da companhia em 2026
No Summit Valor Brazil-USA, em Nova York, o CEO Gustavo Werneck destacou investimentos em data centers, energia solar e contou por que a produtora de aço não pretende parar de expandir pela região













