As primeiras transmissões da Globo em DTV+, que combina o sinal aberto de radiodifusão com a internet, vão ocorrer durante a Copa do Mundo da Fifa, que começa no dia 11 de junho. Anteriormente chamada de TV 3.0, a DTV+ é considerada a próxima grande fronteira da televisão. “O formato deve ampliar muito as possibilidades de publicidade segmentada, interatividade, serviços e experiências personalizadas”, diz Paulo Marinho, CEO da Globo. “A expectativa é que ela transforme a relação do público com a televisão.” No lançamento, o sinal estará disponível em São Paulo e no Rio e, em caráter experimental, em Brasília. A Globo planeja alcançar os 15 maiores centros urbanos - o Painel Nacional de Televisão (PNT), principal referência em audiência para as emissoras e o mercado publicitário - no horizonte de cinco anos. “A distribuição do sinal será ampliada ano a ano”, afirma Marinho. O marco oficial de criação e regulamentação da DTV+ (de Digital Television +) é o decreto 12.595, assinado em agosto do ano passado. As discussões tiveram início em 2021, entre o Fórum Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), que representa as emissoras, e o Ministério das Comunicações. A Globo transmitirá até 57 jogos da Copa 2026, do total de 104, incluindo a partida inicial, a final e todas as da Seleção Brasileira. A cobertura será multiplataforma, envolvendo TV Globo, SporTV, Globoplay, ge.globo, ge TV, GloboPop e redes sociais. Ao todo, serão mil horas de cobertura ao vivo, com a participação de mais de 500 profissionais, sendo 120 enviados às sedes do torneio - Estados Unidos, México e Canadá. O espectador terá acesso a algumas funcionalidades na estreia do formato, com destaque para a qualidade de imagem em 4K - atualmente o padrão mais alto utilizado em grande escala. Nas TVs atuais será necessário usar um conversor externo e uma antena para captar o sinal. Os fabricantes preparam o lançamento de aparelhos com sinal integrado para os próximos meses. Outros recursos disponíveis na estreia incluem interatividade, como participar de votações on-line direto do controle da TV, e uma variedade de informações locais que aparecerão na tela, por exemplo clima e condições de trânsito. As pessoas também poderão escolher o tipo de áudio - entre as possibilidades, ouvir sem narração ou só com o som do estádio. “No futuro haverá uma infinidade de possibilidades”, afirma Marinho. Isso inclui assistir a uma partida esportiva por diferentes ângulos, receber sugestões de conteúdo adicional sobre o que se acabou de assistir e trafegar com mais facilidade por diferentes plataformas (TV aberta, fechada, internet). Uma das principais tendências é o T-commerce, ou seja, adquirir produtos a partir da TV - pode ser a roupa da heroína da novela ou um objeto de decoração que aparece no programa de variedades. “A capacidade de transformar interesse em ação dentro do contexto de conteúdo cria oportunidades importantes tanto para grandes marcas quanto para pequenos e médios negócios”, diz Marinho. “Estamos desenvolvendo modelos que permitem transações diretas a partir do controle remoto, de forma fluida e segura.”