Canoa havaiana, ou polinésia, ensina concentração, colaboração e traz contato terapêutico com natureza Canoa havaiana (ou polinésia) exige sincronia e fluidez de movimentos — Foto: Custodio Coimbra RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 21:11 Canoa Havaiana: Esporte que Une Exercício, Terapia e Natureza A canoa havaiana, ou polinésia, é uma prática que promove concentração, colaboração e contato com a natureza. Com raízes na Polinésia, chegou ao Brasil em 2000 e se popularizou por unir exercício intenso e terapia ao ar livre. A prática matinal oferece um despertar revigorante, com o mar calmo e o sol nascente. Iniciantes são bem-vindos, e o esporte é celebrado por sua capacidade de integração e renovação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem frequenta a orla logo cedo, já deve ter visto: seis silhuetas deslizando sobre a água em sincronia numa embarcação longa, fina e estável. Estou falando da canoa havaiana (ou polinésia para fazer justiça à região onde surgiu), uma prática que mistura história milenar, trabalho em equipe e aquela limpeza de alma que só o mar proporciona. Conta-se que há mais de três mil anos, os povos polinésios usavam essa modalidade com um flutuador lateral (o ama) para colonizar ilhas distantes. Eles navegavam lendo as estrelas, as nuvens e as correntes. No Brasil, a cultura é relativamente nova. Uma pequena investigação me mostrou que a primeira canoa de fibra da modalidade chegou por aqui no ano 2000, em Santos, litoral de São Paulo, e foi batizada de Lanakila. De lá para cá, o esporte explodiu. Minha hipótese? É um exercício que une cárdio intenso com uma terapia coletiva ao ar livre. Uma das partes mais divertidas da canoa é a alternância de lados do remo para evitar a fadiga e manter a direção. A hora certa é determinada pelo remador que dita o ritmo, geralmente sentado no segundo ou no terceiro banco, que grita “Hip!”, o que indica depois de mais uma remada, muda-se de lado. A alternância acontece após de 10 a 15 remadas. Lucas Miom é de São Vicente, cidade vizinha de Santos e pratica o esporte desde jovem. Depois de formado, foi trabalhar na secretaria de Turismo de Ubatuba, no litoral de São Paulo. Descobriu que não havia a prática do esporte por lá, comprou uma canoa, anunciou as aulas e nunca mais parou de receber alunos. Isso faz mais de uma década. Hoje, Lucas e Jéssica, sua esposa, cuidam do Ubatuba Hoe (@ubatubahoe), escola de remadores, cujo mascote, Pirata, é um vira-latas branco com um olho preto, que adora dar umas fugidas pelo bairro de Itaguá. É dali também que saem os passeios para ver o pôr do sol alguns dias da semana. Iniciantes são muito bem-vindos para as duas modalidades. Palavra de quem começou com eles. Confesso: cheguei na areia com certeza de que ia atrapalhar todo mundo. Eu me perguntava se teria força, se o equilíbrio falharia ou se seria o “elo fraco” da corrente. No entanto, a canoa é generosa. Ela acolhe quem chega com humildade. No primeiro dia, descobri que ter escuta e observação são ótimos começos. Sim, errei o hip algumas vezes, bati na pá do remo do colega, e espirrei água no companheiro da frente. Mas também percebi que se integrar ao balanço do barco, focar nas costas de quem está na frente e dar o seu melhor, ajuda a não fazer feio na canoa. Para quem, como eu, é iniciante, a maior vitória não foi a distância percorrida, mas o momento em que percebi que não estava mais lutando contra a água, mas fluindo com ela. E o comando do Lucas, positivo, animado e ainda assim corrigindo o grupo sempre que necessário, ajuda muito. Praticar ao amanhecer tem um propósito. Além do mar estar mais calmo (o chamado “flat”), ver o sol saindo do horizonte enquanto você faz força é uma injeção de ânimo natural. Não é possível sair da água do mesmo jeito que entrou depois de sentir o cheiro do sal, o respingo de água gelada no rosto e o som do casco cortando a maré. E ainda tem o mergulho no meio do passeio, na paradinha para contemplação e para recuperação do fôlego, antes de voltar para a praia. Caímos no mar limpo, gelado que renova o ânimo para o dia que vem pela frente. Aprender a voltar para a canoa de dentro da água é uma das lições mais difíceis. Sal, suor e sol curam muita coisa. Celebrar o dia perto do mar, dando o seu melhor para o grupo seguir adiante, com o nascer do sol como aliado confirma que a vida é feita de alegrias acumuladas. No Rio de Janeiro há vários grupos que organizam a prática. Um deles é o @copavaa. Recomendo encontrar sua turma e fazer ao menos um passeio ao nascer do sol.
Remo, ritmo, sal e o amanhecer
Canoa havaiana, ou polinésia, ensina concentração, colaboração e traz contato terapêutico com natureza







