O indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidir a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, teve o seu nome aprovado pelo plenário do Senado nesta quarta-feira (20). O placar foi de 31 votos a favor e 13 contra. A chancela aconteceu após uma sabatina apressada, marcada de última hora pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL). Questionado sobre a data da deliberação, o senador disse que é preciso “aproveitar a presença dos senadores [no Congresso]. Estamos no período pré-eleitoral". As condutas que o indicado teve enquanto era diretor e presidente-interino da CVM, especialmente sobre a decisão do órgão que dispensou a Ambipar de realizar uma oferta de ações após operação que resultou no aumento de participação na empresa, foram assunto da sabatina. Na ocasião, Otto Lobo decidiu, por voto de qualidade, que a operação não era necessária, o que favoreceu, em última instância, o Banco Master. Sobre o tema, Lobo respondeu que houve uma "incompreensão muito grande" no caso, que a decisão do colegiado para rejeitar a OPA foi unânime e que, “até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa OPA”. Ele também rechaçou ter beneficiado Nelson Tanure ou o Master. Em relação à necessidade de uma reforma na CVM, Lobo pleiteou ser necessário ser focar na mudança da legislação referente ao “financiamento” da autarquia. O indicado ainda elogiou a liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que definiu que 70% da taxa fiscalizatória será transferida para a autarquia. Igor Muniz na diretoria O plenário do Senado também aprovou a indicação de Igor Muniz para a diretoria da CVM. Ele recebeu 39 votos favoráveis e 9 contrários. Muniz foi indicado para ocupar a vaga aberta com o fim do mandato de Daniel Maeda. Advogado com atuação em direito societário, ele trabalhou na Petrobras e preside a Comissão de Direito Societário da OAB-RJ. Antes de chegar ao plenário, seu nome foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). A votação encerra uma tramitação que se arrastou por meses no Senado. As indicações de Lobo e Muniz foram encaminhadas pelo governo em janeiro, mas só avançaram para a CAE em abril, depois de ficarem represadas na Presidência da Casa.