Na ação apresentada em um tribunal federal de Washington, o ex-policial do Capitólio Harry Dunn e o policial Daniel Hodges, do Departamento de Polícia Metropolitana, afirmam que Trump “criou um fundo de US$ 1,776 bilhão financiado pelos contribuintes para beneficiar insurgentes e grupos paramilitares que cometem violência em seu nome”. O processo pede que a Justiça bloqueie os pagamentos do fundo, classificado pelos autores como “o ato mais descarado de corrupção presidencial deste século”. Na segunda-feira (18), Trump chegou a um acordo com a Receita Federal dos EUA (IRS) e concordou em retirar uma ação de US$ 10 bilhões movida após o vazamento de suas declarações de imposto de renda durante seu primeiro mandato. Pesquisa mostra que mais de 60% dos norte-americanos desaprovam o governo Trump Como parte do acordo, o Departamento de Justiça criou o fundo para compensar pessoas que alegam ter sido alvo de “instrumentalização política”. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, foi questionado repetidamente sobre o fundo durante um depoimento no Congresso na terça-feira (19). Blanche afirmou que os recursos podem ser destinados a integrantes de qualquer partido político e não se limitam aos acusados pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro. Segundo ele, os critérios para receber os pagamentos são amplos e incluem pessoas que afirmam ter sofrido “instrumentalização”. Harry Dunn, policial negro com 15 anos de atuação na força responsável pela proteção dos parlamentares americanos, tornou públicos os relatos de agressões físicas e ataques racistas sofridos durante a invasão ao Capitólio. Dunn também afirmou que desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático após o ataque. Durante a invasão, Daniel Hodges ficou preso contra uma porta giratória enquanto um manifestante o pressionava com um escudo policial. A cena viralizou nas redes sociais. Hodges continua na polícia de Washington e já prestou depoimento ao Congresso sobre o episódio. Entenda a criação do fundo O governo do presidente Donald Trump anunciou a criação do fundo na segunda-feira (18). A ideia é indenizar pessoas que afirmam ter sido alvo de investigações e processos movidos por motivos políticos nos Estados Unidos. O chamado “Anti-Weaponization Fund” foi divulgado como parte do acordo judicial que encerrou o processo de US$ 10 bilhões movido por Trump contra a Receita americana, o Internal Revenue Service (IRS), após o vazamento das declarações de imposto de renda do presidente. O governo não divulgou nomes de possíveis beneficiários nem critérios detalhados para receber indenizações.