A zona abissal dos oceanos é um lugar distante, sem luz solar e habitado por criaturas esquisitas. Uma analogia pode ser feita ao compararmos o que acontece no submundo dos empréstimos consignados no Brasil, permeado de transações obtusas, interesses econômicos espúrios e muita fraude. Por mais que tente submergir, o TCU (Tribunal de Contas da União) ocupa um lugar na superfície dessa metáfora, e os aposentados terminam sendo engolidos pelos peixes-ogros que lá habitam.

Depois que o TCU deu um mergulho nesse tema, determinou em abril que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) suspendesse em todo país novos contratos de cartão de crédito consignado. O caso foi levado à corte de contas a partir de uma publicação deste colunista que tratava sobre irregularidades no crédito consignado. Constatou-se, entre outras coisas, falta de segurança do sistema eConsignado, que viabilizava fraudes massivas.

Não demorou muito para o TCU voltar atrás. Com menos de um mês, uma reuniãozinha com representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), da Casa Civil do governo e do INSS levou à justificativa de que o aposentado não pode ficar sem empréstimos. O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Felipe Cavalcante, defendeu que "quando surge uma dificuldade, as famílias precisam desse crédito".