Decreto da prefeitura oficializa homenagem ao sambista três dias após sua morte; 'excelente e justa homenagem', diz pesquisador Noca da Portela morreu no último dia 17 — Foto: Hermes de Paula/Agência do Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 14:50 Rio homenageia Noca da Portela renomeando galpão cultural A Prefeitura do Rio de Janeiro rebatizou o galpão cultural da Praça do Trem, no Engenho de Dentro, em homenagem a Noca da Portela, três dias após sua morte aos 93 anos. O decreto destacou a importância de Noca para o samba e a cultura carioca. Mineiro de Leopoldina, ele foi um influente compositor da Portela e secretário estadual de Cultura. A homenagem reforça a preservação da memória cultural do samba. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O galpão cultural da Praça Carlos Alberto Torres, conhecida como Praça do Trem, no Engenho de Dentro, agora leva o nome de Comendador Noca da Portela. A homenagem ao sambista foi oficializada em decreto publicado pela Prefeitura do Rio nesta quarta-feira (20), três dias após a morte do compositor, aos 93 anos. No texto, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) destaca a relevância de Osvaldo Alves Pereira, nome de batismo de Noca da Portela, para a cultura popular brasileira, para o samba e para a memória afetiva da cidade do Rio. A homenagem leva em conta também a ligação histórica do compositor com a Zona Norte carioca. Mineiro de Leopoldina, Noca se mudou ainda criança para o Rio. Antes da carreira na música, trabalhou como feirante. Aos 15 anos, iniciou sua trajetória no samba pela Unidos do Catete, campeã do carnaval com o enredo “O grito do Ipiranga”. Em 1967, foi convidado por Paulinho da Viola para integrar a Portela, escola com a qual construiu sua história. Entre os sambas assinados por Noca estão “Recordar é viver”, de 1985, “Gosto que me enrosco”, de 1995, “Os olhos da noite”, de 1998, e “ImaginaRIO, 450 janeiros de uma cidade surreal”, de 2015. Ele também integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, e deixou sua marca em composições como “Portela querida”, eternizada na voz de Elza Soares, além do samba-enredo “O homem de Pacoval”, de 1976. A prefeitura ressaltou ainda que Noca integrou a história da Portela e da cultura carioca como compositor, cantor e integrante da Velha Guarda da escola, além de ter deixado um legado permanente para a música brasileira com centenas de composições. Galpões da Praça do Trem, no Engenho de Dentro — Foto: Adriana Lorete/5-11-2019 O decreto também cita honrarias recebidas pelo artista, como a Ordem do Mérito Cultural e a Ordem de Rio Branco, reconhecimentos que contribuíram para que fosse conhecido como “comendador do samba”. Além da música, Noca também teve atuação política. Militante do Partido Comunista Brasileiro, foi secretário estadual de Cultura entre março de 2006 e janeiro de 2007, no governo Rosinha Garotinho. Em 2008, concorreu ao cargo de vereador do Rio pelo PSB. O pesquisador e escritor Rogério Rodrigues, ex-diretor cultural da Portela, afirmou que a homenagem reconhece a dimensão artística e política do sambista. — Excelente e justa homenagem. Noca era um artista e um cidadão imensos na defesa da cultura, do samba, da Portela, dos sambistas e da democracia — declara. Segundo o documento, a escolha do espaço público reforça o compromisso do município com a preservação da memória do samba, do carnaval carioca e das manifestações culturais populares.