Pesquisa, divulgada no Journal of Applied Physiology, foi realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo com apoio da FAPESP Treino de força — Foto: Dustin Chambers/ The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 13:51 Estudo da USP: Exercícios combinados mantêm ganho muscular Um estudo da Universidade de São Paulo, publicado no Journal of Applied Physiology, revela que combinar treino de força com exercícios aeróbicos não prejudica o ganho de massa muscular, desafiando crenças fitness. A pesquisa, conduzida com apoio da FAPESP, mostrou que apesar do ganho de força ser levemente inferior, a hipertrofia muscular é mantida. A prática combinada é considerada essencial para uma boa saúde. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que combinar musculação com exercício aeróbico não prejudica o ganho de massa muscular, contrariando a popular crença do mundo fitness. "Existia a ideia de que combinar musculação com exercícios aeróbicos poderia comprometer o ganho de massa muscular, pois o esforço provocado pelo cárdio interferiria na síntese proteica relacionada à hipertrofia. Mas não é isso que acontece”, disse Carlos Ugrinowitsch, professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e coautor do artigo. Contudo, o experimento mostrou que o treino combinado promoveu um ganho de força levemente menor do que a musculação praticada isoladamente. Anteriormente, explica o pesquisador, acreditava-se que o treino aeróbico competia com a musculação porque estimulava a produção de proteínas voltadas a aumentar a produção de mitocôndrias (biogênese mitocondrial), reduzindo a síntese necessária para o crescimento muscular. Esse fenômeno, chamado de "efeito de interferência", baseava-se na ideia de que o metabolismo aeróbico teria prioridade por ser vital para a geração de energia e sobrevivência. Consequentemente, pensava-se que combinar força e cárdio em uma mesma rotina traria menos hipertrofia do que praticar cada modalidade separadamente. Ainda segundo Ugrinowitsch, a equipe resolveu pesquisar sobre o assunto, pois combinar o treino de força com o aeróbico é “a base para uma boa saúde”. No estudo, os pesquisadores dividiram os voluntários, que tinham em média 28 anos, em dois grupos e os acompanharam ao longo de 16 semanas. Todos eram sedentários. Um grupo realizou treinos de musculação duas vezes por semana, ao longo de quatro meses. O treinamento tinha como foco exercícios de leg press e extensão de pernas (duas a três séries de 12 repetições). Já o outro, além das duas sessões semanais de musculação, realizou quatro treinos do tipo HIIT (composto por sequências rápidas de exercícios muito intensos intercaladas com períodos curtos de descanso) por semana. O protocolo consistia em tiros de corrida em esteira com intervalos longos. Os resultados do estudo que teve apoio da FAPESP foram divulgados no Journal of Applied Physiology. Embora o ganho de músculo tenha sido o mesmo nos dois grupos, o ganho de força de fato foi menor entre os que realizaram as duas modalidades de treino. “Existem dois fatores associados para a produção de força: o ganho de músculo e a ativação cerebral. É como se o treino aeróbico criasse uma fadiga na comunicação entre o cérebro e o músculo. Na hora do esforço máximo, o sistema nervoso não consegue recrutar as fibras com a mesma capacidade”, explicou o pesquisador.