Este é um artigo que propositadamente não terá referências bibliográficas, porque se focará em alguns aspectos que lá não aparecem…Emagrecer é um processo fisiologicamente simples (ingerir menos calorias do que se gasta), mas muito complexo a nível comportamental. A este nível existem muitos pequenos detalhes que fazem uma diferença substancial no sucesso da perda de peso e manutenção do peso perdido. Vamos abordar alguns deles:Honestidade e reconhecimento da realidade alimentar: uma consulta que comece com um “doutor, eu estou gordo/a porque como!” é uma maravilha! Quebra-se automaticamente uma barreira, onde a abordagem do nutricionista pode ser muito mais empática e humana e perceber o que o levou até aquele peso e as melhores estratégias para melhorar a alimentação e controlar os gatilhos nutricionais de cada um. Quando, por outro lado, o paciente (com algum receio do julgamento do nutricionista) relata que a sua história alimentar tem 1200kcal por dia mas está com 30-40% de massa gorda ou se escuda em “eu não sei como cheguei a este peso”, “eu até nem como o alimento x, y, z” ou “eu como o mesmo que há alguns anos, mas a tiroide/metabolismo…” obrigará o nutricionista a trepar esse muro de desconfiança e a ter de explicar que, mesmo de forma inconsciente, o ganho de peso ao longo dos anos se deveu à soma de pequenas coisas (menos atividade física, alimentação social mais abusada, gordura na confecção de alimentos, etc.).Este processo tanto pode correr bem como pode afectar negativamente a criação de empatia e confiança mediante a reacção e capacidade de autocrítica e autoconsciência de cada pessoa. Pode ter a certeza de que um nutricionista experiente nos 5-10 primeiros minutos de consulta já conseguiu perceber com elevada probabilidade de sucesso se existirá uma consulta subsequente ou não.Relação tóxica com as redes sociais: para muitas pessoas, as consultas poderiam começar com um “então, qual é a novidade desta vez?”. À qual a resposta poderia ser o jejum intermitente, os desafios sem açúcar, o papel “inflamatório” do glúten e da lactose, a dieta carnívora, o suplemento X, Y ou Z e por aí adiante. Consumir diariamente conteúdos de redes sociais que dizem tudo e o seu contrário, seguir páginas e podcasts de “profissionais” predatórios que sabem exactamente o que dizer para lhe provocar desconfiança em tudo o que come é uma receita de sucesso não só para obstaculizar a perda de peso, mas sobretudo para prejudicar irremediavelmente a sua relação com a comida e saúde mental. Em 2026, o detox mais importante não são shots de água com limão, curcuma e gengibre de manhã em jejum, mas sim deixar de seguir várias páginas no Instagram e TikTok.