A Ótmow, fintech especializada na antecipação de recebíveis de contratos públicos, captou R$ 25 milhões com a japonesa Credit Saison — instituição financeira não bancária listada na Bolsa de Tóquio — e estruturou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 35 milhões para ampliar a oferta de crédito a fornecedores do governo. A operação combina capital estrangeiro e mercado estruturado para atuar sobre um dos principais gargalos de liquidez da economia brasileira. O foco da empresa está na antecipação de recebíveis originados de contratos com o setor público, um segmento marcado por prazos longos de pagamento e baixa oferta de crédito tradicional. Na prática, a empresa transforma esses ativos em liquidez imediata, reduzindo a pressão de capital de giro de empresas que atuam em setores críticos, como saúde, infraestrutura, tecnologia e educação. A operação é baseada em tecnologia proprietária e análise de dados para precificação de risco em transações com entes públicos. A plataforma da fintech já avaliou mais de 160 órgãos governamentais, permitindo maior previsibilidade na originação e estruturação das carteiras. Os recursos podem ser liberados em até 48 horas após a aprovação. Desde sua fundação, a empresa já movimentou mais de R$ 100 milhões, consolidando presença em um nicho ainda pouco explorado pelo mercado financeiro tradicional. Ao atuar exclusivamente com recebíveis públicos, a companhia busca estruturar esse mercado a partir de uma abordagem orientada por dados, governança e previsibilidade, gerando escala e consistência na originação e gestão desses ativos, o que aumenta a confiança dos investidores. A entrada da Credit Saison acontece em um momento de crescente apetite global por estratégias de crédito estruturado em mercados emergentes. Com forte histórico em financiamento e securitização, a instituição japonesa vê o Brasil como uma oportunidade para desenvolver operações locais lideradas por equipes no país, impulsionando o crescimento do mercado brasileiro de fintechs e crédito, que segue em rápida expansão. Estabelecida em São Paulo desde 2023, a equipe da Credit Saison no Brasil já conta com 40 profissionais. Para Rafael Lima, CEO da Ótmow, a operação reforça a viabilidade do modelo. "Existe uma demanda estrutural por liquidez nesse segmento, que historicamente foi pouco atendido. O que estamos fazendo é organizar esse mercado com base em dados, governança e previsibilidade", afirma. Segundo o executivo, a combinação entre o aporte e o FIDC amplia a capacidade de originação e distribuição das operações. "A estrutura permite ganho de escala de forma eficiente e atrai novos investidores para uma classe de ativos ainda pouco explorada pelo mercado financeiro brasileiro", diz Rafael. Em um cenário de liquidez mais restrita e maior seletividade por parte dos bancos, instrumentos estruturados tendem a ganhar protagonismo ao oferecer fluxos de caixa previsíveis e lastro em contratos públicos. Nesse contexto, a entrada da Credit Saison sinaliza não apenas confiança na operação, mas também uma visão mais ampla sobre o potencial de desenvolvimento desse mercado no Brasil. Ao transformar recebíveis públicos em ativos elegíveis em escala, a Ótmow se posiciona no centro de uma agenda que combina eficiência fiscal, acesso a capital e melhoria na prestação de serviços essenciais, uma tendência que deve ganhar força à medida que o crédito tradicional se torna mais restritivo e o capital busca alternativas com retorno ajustado ao risco.
Ótmow recebe aporte milionário de instituição financeira não bancária japonesa Credit Saison
“Fintech de recebíveis públicos avança na institucionalização do crédito e atrai capital estrangeiro para um segmento ainda pouco explorado no Brasil.”












