A varejista britânica Marks & Spencer projetou um retorno ao crescimento do lucro neste ano após uma queda de 24% nos doze meses até março, impactada por um ataque cibernético que prejudicou vendas e margens. A M&S, de 142 anos e uma das marcas mais tradicionais do Reino Unido, afirmou ter iniciado o atual ano fiscal, que vai até março de 2027, com um plano claro e um balanço sólido, focando em novas melhorias na disponibilidade de produtos e nos níveis de serviço. “Espera-se que o crescimento do lucro seja retomado em relação a 2024/25”, afirmou a empresa nesta quarta-feira, impulsionando suas ações em 5%, na bolsa de Londres. A M&S disse que sua perspectiva para o ano atual considera custos mais altos de combustível, frete e insumos causados pela guerra no Irã, além da continuidade de tributos governamentais e desafios regulatórios para o setor. A empresa pretende mitigar esses impactos por meio de melhores práticas de compras, reinvestimento em valor para impulsionar volumes e economias provenientes de seu programa estrutural de redução de custos. Dominic Younger, gestor de fundos da Columbia Threadneedle Investments, uma das cinco maiores investidoras da M&S, disse que a atualização da companhia encerra um ano de grandes adversidades. “Quando investimos ativamente em nome dos clientes, buscamos empresas que saiam das crises mais fortes, e é mérito da M&S que, assim como vimos após a Covid, o negócio pareça em boa forma para enfrentar os novos desafios deste ano.” Pedidos online foram suspensos O ataque cibernético forçou a M&S a suspender pedidos online de roupas por sete semanas e os serviços de retirada em loja por quase quatro semanas. A disponibilidade de roupas e alimentos nas lojas também foi afetada, além de gerar custos adicionais com desperdícios e logística. “Estivemos totalmente focados em nossos clientes, trabalhamos incrivelmente duro para recuperar nosso negócio e saímos mais fortes”, disse o diretor-presidente, Stuart Machin. O grupo registrou lucro ajustado antes de impostos de 671,4 milhões de libras no ano encerrado em 28 de março, abaixo dos 881,1 milhões de libras de 2024/25. O lucro do segundo semestre cresceu 4,1% em relação ao ano anterior. A M&S informou que os custos relacionados ao ataque cibernético totalizaram 131,3 milhões de libras. Enquanto as vendas de alimentos cresceram 7% e a divisão ganhou participação de mercado, as vendas nas áreas de moda, casa e beleza recuaram 7,7%. Machin afirmou que a recuperação dessas divisões demorou mais, “mas há forte potencial de crescimento”. Ele também disse, no entanto, que os varejistas enfrentam “uma combinação tripla de obstáculos, com aumento de impostos, maior carga regulatória e conflitos globais contínuos”. Consumidores britânicos, abalados pelo impacto inflacionário do conflito no Oriente Médio, reduziram seus gastos no mês passado pela primeira vez desde novembro de 2024, mostrou uma pesquisa do Barclays divulgada na semana passada. — Foto: Bloomberg