O líder do PS rejeitou, na noite de terça-feira, uma comissão de inquérito sobre a Base das Lajes, mas quer explicações no Parlamento do ministro dos Negócios Estrangeiros, que acusa de nervosismo, para esclarecer as declarações do secretário de Estado norte-americano.“Considerando que países aliados de Portugal — o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália — actuaram de forma diferente daquela que foi a actuação do Governo português, o PS tem um dever porque aquilo que nos foi transmitido não corresponde àquilo que foi transmitido pelo secretário de Estado norte-americano”, formulou José Luís Carneiro, em entrevista ao NOW, a propósito da polémica em torno do uso da Base das Lajes.Na perspectiva do secretário-geral do PS, o dever do seu partido é exigir “o escrutínio no Parlamento, nomeadamente na Comissão dos Negócios Estrangeiros”, audição do ministro Paulo Rangel que os socialistas já pediram.“No nosso entender, não é necessária uma comissão de inquérito, porque é normal, é regular que o ministro dos Negócios Estrangeiros responda às perguntas que lhe são feitas pelos deputados”, disse, quando questionado sobre a comissão de inquérito que PCP e BE já pediram.Para José Luís Carneiro, a “pergunta é simples”. E lança o desafio: “Se aquilo que disse o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não corresponde à verdade daquilo que se passou, o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros transmite essa mensagem em sede própria e com certeza que as questões ficam esclarecidas.”Sobre Paulo Rangel, o líder do PS disse compreender “o desconforto”, mas considerou que “não justifica tanto nervosismo”.“O primeiro-ministro contactou-me no dia 27 de Fevereiro para perguntar a posição do PS sobre o uso da Base das Lajes. (...) E aquilo que eu disse foi que nós éramos contrários a uma intervenção militar feita à margem das Nações Unidas” e do direito internacional, referiu, enfatizando que já tinha dito o mesmo no parlamento perante Luís Montenegro.Segundo o secretário-geral do PS, o Governo transmitiu que “colocou três condições em relação ao uso da Base das Lajes” e os socialistas consideraram que “essa justificação era uma justificação válida”.“O uso da Base das Lajes seria feito não para actos de guerra, mas para operações de logística e para apoio logístico a acções de retaliação, desde que fundamentadas, justificadas e proporcionais e nunca contra alvos civis. Nós concordámos com estas condições que o Governo colocou e dissemo-lo na Assembleia da República”, assumiu.No entanto, de acordo com Carneiro, aquilo que Marco Rubio veio “afirmar, para todo o mundo, é que Portugal disponibilizou a utilização sem perguntar para que efeito”.O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se, na terça-feira, a “falar mais” sobre o uso das Lajes pelos EUA nos ataques ao Irão, argumentando que já foi “muito claro”, acrescentando que “o tempo da clareza agora é para outros”.Rangel insistiu que não vai “falar mais sobre isso”, convidando a fazê-lo “quem lançou a confusão”, sem nunca mencionar explicitamente o PS, cuja posição sobre esta matéria o ministro condenou “veementemente” na véspera.Os pedidos do PS para audição de Rangel e do PCP e BE para uma comissão de inquérito surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano na quinta-feira, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos EUA para utilizar a base na guerra contra o Irão. Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.No mesmo dia, o ministério esclareceu em comunicado que “o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”.Na segunda-feira, Rangel condenou a posição do PS sobre este tema, garantindo que o partido foi “informado e consultado previamente”.
Carneiro não acompanha comissão de inquérito sobre Lajes e acusa Rangel de nervosismo
Os pedidos do PS para audição de Rangel e do PCP e BE para uma comissão de inquérito surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano.










