A China aumentou as compras de petróleo e gás russos desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, após Moscou e Pequim declararem uma parceria “sem limites” poucos dias antes do início do conflito. A relação energética entre os dois países deve ser um dos principais temas do encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, em Pequim, nesta quarta-feira. Veja, a seguir, alguns fatos sobre os laços energéticos entre os dois países: Gás Uma instalação do gasoduto Power of Siberia em Heihe, província de Heilongjiang, China, na terça-feira, 21 de março de 2023 — Foto: Bloomberg A gigante russa Gazprom fornece gás natural à China por meio do gasoduto Power of Siberia, de 3 mil quilômetros, dentro de um contrato de 30 anos e US$ 400 bilhões iniciado no fim de 2019. Em 2025, as exportações cresceram cerca de 25%, para 38,8 bilhões de metros cúbicos (bcm), superando a capacidade anual projetada do gasoduto, de 38 bcm. Durante a visita de Putin à China em setembro, os dois países concordaram em elevar os volumes anuais da rota em mais 6 bcm, para 44 bcm por ano. Em fevereiro de 2022, a China também concordou em comprar até 10 bcm de gás por ano até 2027 por meio de um gasoduto vindo da ilha de Sakhalin, no extremo leste russo. Posteriormente, os países acertaram elevar o volume para 12 bcm. As exportações russas de gás para a China ainda representam apenas uma pequena fração dos 177 bcm anuais entregues à Europa em 2018 e 2019. A participação da Rússia nas importações de gás da União Europeia diminuiu durante a guerra na Ucrânia, especialmente via gasodutos. Ainda assim, Moscou permaneceu como o segundo maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL) ao bloco no ano passado, com 16% de participação, embora a distância para o principal parceiro europeu no segmento, os Estados Unidos, tenha aumentado consideravelmente. Rússia e China seguem negociando o novo gasoduto Power of Siberia 2, com capacidade para transportar 50 bcm de gás por ano da Rússia para a China via Mongólia. A Gazprom iniciou estudo de viabilidade do projeto em 2020, mas ele ganhou urgência à medida que a Rússia passou a buscar na China um substituto para a Europa como principal mercado consumidor de gás. O CEO da Gazprom, Alexei Miller, afirmou em setembro que os países assinaram um “memorando juridicamente vinculante” sobre o projeto, embora ainda não exista um contrato definitivo. As exportações russas de GNL para a China cresceram 18,2% no ano passado, para 9,79 milhões de toneladas métricas, segundo dados da alfândega chinesa citados pela agência Tass. A Rússia foi o terceiro maior fornecedor de GNL para a China, atrás apenas de Austrália e Catar. A China é a maior compradora mundial de gás transportado por navios. Petróleo Advogados apostam em ação judicial contra imposto no petróleo — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg A China é o principal cliente do petróleo russo transportado por mar e por oleodutos. As exportações permaneceram elevadas em meio às sanções ocidentais contra Moscou pela guerra na Ucrânia. As importações chinesas de petróleo russo somaram 2,01 milhões de barris por dia em 2025 — ou 100,72 milhões de toneladas métricas no total —, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China. O volume representou 20% de todo o petróleo importado pela China. Yury Ushakov, assessor de política externa de Putin, afirmou que as exportações russas de petróleo para a China cresceram 35% no primeiro trimestre de 2026, para 31 milhões de toneladas. A China, maior importadora mundial de petróleo, compra principalmente o petróleo Espo (Eastern Siberia-Pacific Ocean), exportado pelo ramal Skovorodino-Mohe do oleoduto Espo de 4.070 quilômetros, que conecta campos petrolíferos russos a refinarias chinesas e ao porto de Kozmino, no extremo leste russo. A operadora russa Transneft informou que está expandindo o oleoduto Espo para aumentar as exportações via Kozmino, com conclusão prevista para 2029. A China também importa petróleo da ilha de Sakhalin, no Pacífico, incluindo os tipos Sakhalin Blend e Sokol. A disponibilidade do petróleo Espo Blend permanece elevada desde julho de 2025, quando as exportações foram ampliadas para 1 milhão de barris por dia. A Transneft manteve os embarques via Kozmino próximos desse nível. A Rússia também concordou em aumentar suas exportações de petróleo para a China via Cazaquistão, pelo oleoduto Atasu-Alashankou, em 2,5 milhões de toneladas por ano, para um total de 12,5 milhões de toneladas anuais. Putin inicia visita à China buscando o apoio de Xi para seu novo mandato. — Foto: Bloomberg
Rússia amplia laços energéticos com a China em meio à guerra na Ucrânia
Temas como gás e petróleo devem estar no centro das discussões no encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, em Pequim, nesta quarta-feira











