Não apenas há uma multiplicação das guerras ao redor do mundo, como também os conflitos estão durando mais tempo. Essa combinação é muito preocupante, alerta Pierre Krähenbühl, diretor-geral do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
"O objetivo nunca foi uma organização humanitária como o CICV permanecer por décadas no mesmo conflito. A ideia era sermos um ator de emergência. Entraríamos por alguns meses, alguns anos, uma solução seria encontrada para o conflito, seguiríamos para outro", afirmou à Folha Krähenbühl, apontando os conflitos na Faixa de Gaza, na Colômbia e no Líbano. "A combinação entre números crescentes de conflitos e sua longa duração é uma mistura particularmente problemática."
Diante desse cenário, o CICV, como outras organizações humanitárias, enfrenta grande redução no volume de doações e tenta diversificar suas fontes de financiamento –um dos objetivos da visita de Krähenbühl ao Brasil, no fim de abril.
Tem havido violações sistemáticas do direito humanitário internacional nos conflitos em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Irã e no Líbano. Qual é o sentido de existir o direito humanitário se ninguém o respeita?Vemos uma proliferação de conflitos. Há a impressão de que o cerne da Carta da ONU, de que a guerra deveria ser o último recurso, foi abandonado, e a guerra está se tornando novamente uma opção tolerada para resolver disputas entre países.







