A Stellantis planeja lançar uma nova categoria de veículos totalmente elétricos pequenos e de baixo custo em um esforço para revitalizar o encolhido segmento europeu de carros de entrada e o combalido setor manufatureiro. A dona das marcas Fiat, Opel e Citroën informou que a produção do compacto e totalmente elétrico “E-Car” começará em 2028 em sua fábrica de Pomigliano d'Arco, na Itália, com potencial para volumes “significativos”. O modelo terá preço em torno de 15 mil euros (US$ 17,5 mil), disse uma fonte próxima ao assunto. As montadoras negligenciaram os modelos de entrada e de baixo custo nos últimos anos devido ao aumento dos custos ligados à eletrificação e às regulamentações de segurança, além da busca por margens maiores, o que as levou a priorizar carros médios e grandes. O E-Car contará com parcerias para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento, além de ajudar a sustentar empregos na manufatura local, afirmou a Stellantis em comunicado nesta terça-feira (19). O diretor-presidente, Antonio Filosa, que deve apresentar um novo plano de negócios na quinta-feira, disse que a empresa pretende aproveitar a demanda por “veículos pequenos e estilosos” produzidos na Europa para o mercado europeu, acrescentando que o E-Car dará origem a “novos modelos para múltiplas marcas”. A Stellantis defende que a Europa, onde as regras de segurança e emissões elevaram significativamente o custo dos carros novos, precisa de uma nova geração de veículos pequenos, simplificados e eficientes em custos, no estilo dos “kei cars” japoneses. Os kei cars são veículos urbanos tradicionalmente vendidos no Japão, com restrições de tamanho e motorização, beneficiados por menores custos de impostos e seguro. Eles representam uma parcela significativa do mercado local. A Comissão Europeia reconheceu o novo segmento E-Car por seu potencial de impulsionar empregos em design e manufatura na Europa e apoiar uma adoção mais ampla de veículos elétricos, especialmente para a mobilidade urbana cotidiana, afirmou a Stellantis nesta terça-feira. A Stellantis alertou que, sem veículos elétricos mais acessíveis, o avanço da União Europeia rumo à mobilidade de emissão zero corre o risco de estagnar, especialmente entre consumidores de menor renda. Itens de segurança exigidos na União Europeia, como sensores que detectam se o motorista está adormecendo ou o botão SOS, são obrigatórios desde os menores carros até SUVs maiores, com impacto mais significativo no custo de veículos usados principalmente em trajetos urbanos curtos. Com expectativa de volumes elevados, o E-Car deve ajudar a Stellantis a melhorar a utilização de sua capacidade produtiva subutilizada na Europa, objetivo que Filosa também busca ao ampliar a cooperação com a parceira chinesa Leapmotor. As duas montadoras anunciaram no início deste mês a produção conjunta de dois modelos na Espanha, enquanto a Stellantis indicou que a cooperação industrial com a Dongfeng pode se expandir para além da China. A fábrica de Pomigliano produz modelos como o Fiat Panda, cuja produção deve continuar pelo menos até 2030. Sindicatos italianos receberam o anúncio de forma positiva e disseram em comunicado que a nova produção deve eventualmente permitir que a fábrica alcance pleno emprego. Eles também confirmaram o preço do E-Car. Stellantis — Foto: Bloomberg