Douglas Silva de Oliveira Azara, dono da Azara Capital, que diz ter comprado a empresa de tecnologia financeira Naskar Gestão e outras pessoas jurídicas do grupo por R$ 1,2 bilhão, tem 25 anos e aparece no quadro societário de mais de uma dezena de companhias. Segundo os registros oficiais, os negócios são em setores que vão de transporte a fazendas, postos de combustíveis e empresa de pagamentos, que inclui o Banco Phoenix, nome fantasia da Jabuti Capital Venture, fundada em janeiro de 2024. No total, elas têm um capital informado de R$ 2,4 bilhões. O Phoenix teria feito proposta por ativos "inoperantes" do Master. Por meio do gerente administrativo e financeiro do Banco Phoenix, Hadhasse Sardi, o executivo respondeu a algumas questões enviadas pelo Valor, quando a Naskar anunciou a transação, na semana passada. A assesoria de imprensa da Naskar orientou que qualquer outro questionamento sobre o destino dos R$ 850 milhões em recursos congelados de 2,7 mil clientes que investiram na empresa por meio de contratos de mútuo teria que ser respondido por Azara. Segundo o porta-voz, o montante global da transação foi liquidado integralmente por meio de uma estrutura que envolve "o abatimento de obrigações financeiras preexistentes com a adquirente, a assunção dos compromissos de ressarcimento junto aos investidores, a dação em pagamento de ativos pessoais dos antigos sócios e a transferência de criptoativos". Ele afirmou que, para chegar a um acordo, foi "conduzido um processo rigoroso e completo de ‘due diligence’ antes da conclusão do negócio", conforme a mensagem enviada à reportagem. "E afirmamos que a devolução do recurso é 100% factível a todos os investidores". Sardi disse ainda que Azara não tem nenhum relacionamento prévio ou pessoal com os antigos sócios, "com os quais não manteve contato direto inclusive durante as tratativas comerciais". O planejamento estratégico inicial prevê o mapeamento e a consolidação detalhada dos passivos a serem devolvidos aos investidores nos próximos dias, permitindo a apuração precisa e a alocação de recursos necessários para dar início cronológico aos reembolsos. A Naskar vendia a ideia de ter criado um algoritmo que auxilava a investir os recursos em renda fixa e em opções de ações, prometendo ganhos entre 1,5% e 2% ao mês, muito acima dos parâmetros do mercado financeiro tradicional. Criada em 2013, distribuía rendimentos mensais até que neste mês interrompeu os pagamentos. Os sócios são Rogério Vieira, Marcelo Lirano Arantes e Maurício Volpato, ex-jogador de vôlei da seleção brasileira conhecido como Maurício Jahu. Questionado sobre que tipo de sinergia a Jabuti Capital via no negócio com a Naskar, Azara afirmou que "todas as operações que integram o conglomerado são financiadas exclusivamente por meio de capital próprio, prescindindo de aportes ou captações junto a terceiros", escreveu. "A solidez dessas operações fundamenta-se em um histórico familiar de tradição judaica, fortemente vinculado e especializado no desenvolvimento de estruturas do mercado financeiro." Ele confirmou ainda o envio de uma proposta formal visando a aquisição da totalidade dos ativos e passivos da referida instituição (Master). "Contudo, até o presente momento, não houve retorno por parte dos responsáveis pela condução do processo de liquidação." Procurada na semana passada, a assessoria do Master respondeu que o tema teria que ser tratado diretamente com o Banco Phoenix. No mercado brasileiro, o porta-voz acrescentou que Jabuti adota temporariamente o modelo de infraestrutura de "banking-as-a-service" (BaaS) em parceria com instituições autorizadas, "enquanto tramita o processo de concessão da licença de instituição de Pagamento (IP) perante o Banco Central do Brasil". Nos Estados Unidos, onde estaria a sede da Azara Capital, em Miami (FL), "as operações são respaldadas pelo registro como Money Services Business (MSB)". Questionado por que os botões de abertura de conta na Azara e no Banco Phoenix não funcionavam nos sites das duas empresas, Nardi respondeu que as funcionalidades "foram temporariamente suspensas devido ao aumento atípico no volume de acessos e solicitações registrado após a veiculação das recentes notícias institucionais". Ele disse ainda que a companhia atuará de forma diligente e proativa em todas as demandas judiciais e administrativas, observando estritamente os prazos e ritos determinados pelas autoridades competentes. A Naskar é alvo de um processo que corre no Tribunal da Justiça de São Paulo num inquérito policial que investiga o Naskar Bank por suposto crime contra a economia popular. Ele está em análise no Ministério Público, mas está sob sigilo. A Nexco, que distribuía contratos de investimentos da Naskar ajuizou uma ação contra a fintech, representando clientes que aplicaram R$ 288 milhões na empresa. No Paraná, a defesa da Naskar conseguiu emplacar a tese de que o Naskar Bank atuava debaixo da Lei 12.865/2013, que fundamentou os arranjos e instituições de pagamentos no Brasil, e dissociou agentes externos que atuavam em nome da instituição. A denúncia por suspeita de crime contra a economia popular foi arquivada. Nadir escreve ainda que os recursos integralizados por Azara nas diversas empresas do grupo são de origem familiar e decorrentes de herança. "Esse patrimônio foi posteriormente submetido a uma estratégia de diversificação e valorização por meio de alocações estruturadas no mercado de criptoativos durante o período compreendido entre os anos de 2016 e 2022." Douglas Silva de Oliveira Azara, dono da Azara Capital, que diz ter comprado a empresa de tecnologia financeira Naskar Gestão e outras pessoas jurídicas do grupo, por R$ 1,2 bilhão — Foto: Reprodução/LinkedIn
Dono de banco que teria comprado Naskar e 'cobiçou' Master tem 25 anos e participa de diversas companhias
A Naskar, que tinha ex-jogador de vôlei entre sócios, "desapareceu" com R$ 850 milhões de investidores; porta-voz de novo dono diz que reembolso dos valores é "factível"












